Um setor refém do medo

Ninguém se atreve a fazer a ligação entre os fatos. Mas incêndios criminosos, assassinatos não esclarecidos, ameaças e até lançamento de bombas caseiras em residências cercam o mundo dos cegonheiros.

Nesta sexta-feira, 29, está fazendo 12 anos que Mário Sérgio Gabardo, um jovem de 20 anos, filho do empresário Sérgio Gabardo, proprietário da Transportes Gabardo, foi assassinado na cidade de Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre. O pai não quer falar no assunto. Mas sua consternação, desde que Mário foi morto em 2005, é visível frente a tragédia que mudou a vida da família. A Polícia não conseguiu elucidar o crime. O pai encaminha todos os meses correspondência eletrônica para centenas de autoridades cobrando ações que visem a desvendar o assassinato.

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Mário Sérgio Gabardo foi assassinado em 2005.

Bomba caseira
A casa de um dos diretores da Transtana foi atingida por tiros e pelo lançamento de uma bomba caseira. O fato ocorreu em 2003, quando a empresa começou a transportar veículos da marca Peugeot, integrando um pool com outras duas transportadoras. Ninguém foi responsabilizado.

Um caso esclarecido
O segundo tesoureiro do Sindicato dos Motoristas Cegonheiros (Cimos), Josivam Bezerra de Carvalho, foi assassinado em novembro de 2008 na porta de casa. Sua mobilização estava “incomodando o setor”. Foi alvejado por cinco disparos de arma de fogo. Quatro deles no rosto. O assassino foi identificado e condenado.

Investigação sumida
Há anos que a Polícia Federal tem nome, endereço e CPF de um grupo de incendiários de caminhões-cegonha. Os mandantes também já foram identificados. Criminosos foram delatados por ex-companheiro. Tudo em detalhes. Ninguém sabe onde a investigação foi parar.