Frete cobrado por cartel pode ter prejudicado a montadora chinesa Chery

Crescem os rumores dando conta que a Chery está em acerto final com o grupo CAOA para vender as operações da montadora chinesa no Brasil devido a acúmulo de prejuízos. Especula-se que o valor escorchante do frete de veículos novos imposto à marca tenha contribuído para o desfecho.

O transporte de carros zero-quilômetros no Brasil é controlado por um cartel formado por transportadoras e sindicatos. As ações dessa organização criminosa, conforme denominação atribuída pela Polícia Federal, tem a cooperação e a conivência de diversas montadoras.

Em 2002, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação contra o cartel. Em 2016, foram condenados por crime contra a economia popular a General Motors do Brasil, o ex-diretor para assuntos institucionais da GM Luiz Moan, a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) e o Sindicam (atual Sindicato Nacional dos Cegonheiros – Sinaceg). Todos foram incriminados por formação de cartel no setor de transporte de veículos novos. Ficou claro, à época, que o modus operandi da organização criminosa que controla o setor atinge a grande maioria das montadoras instaladas no país.

Frete pode chegar até 13% do valor do veículo
Nos autos, conforme depoimento à Polícia Federal, Luíz Moan revelou que o preço do frete praticado pelo cartel pode chegar a 13% do valor total do veículo. Em outro processo, o MPF acusou a Sada Transportes e Armazenagens de cobrar até 82% a mais que a concorrência para transportar os veículos fabricados pela Iveco.

Toda a produção da Chery é transportada em coluio entre a Brazul (grupo Sada) e a Tegma, empresas que tem seus principais executivos respondendo a ação penal sob a acusação de formação de cartel e quadrilha.

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De acordo com levantamento feito pelo portal Livre Concorrência,  do total de emplacamentos de veículos da marca Chery e com base nas informações apresentadas pelo MPF na apelação da Ação Civil Pública do Rio Grande do Sul, os compradores da marca chinesa foram lesados 70.615 vezes desde 2010. Em cada venda, os consumidores foram atingidos pela mesma ação infratora identificada pelo MPF na operação da GM no sul: o superfaturamento nos valores cobrados a título de frete.

Sada e Tegma comandam o cartel
Para os procuradores Silvana Mocellin e Estevan Gavioli da Silva, as empresas associadas à ANTV (entidade extinta por determinação judicial) praticam preços muito superiores aos das demais empresas transportadoras. Em alguns casos, percebe-se aumento “superior a 100% no valor do frete de um veículo da mesma marca e com distância não muito superior”. Em outro trecho da apelação, que está no TRF4, os procuradores afirmam: “A atuação coordenada das empresas que participaram da ANTV continua em plena atividade, mantendo os grupos Sada e Tegma o comando das ações que se desenvolvem no desiderato da manutenção da cartelização do transporte rodoviário de veículos novos em nosso País”.