Fiat/Jeep mantém cartel e cegonheiros pernambucanos completam três meses de protesto

Depois de ludibriar os cegonheiros pernambucanos com a falsa promessa de aproveitá-los no escoamento da produção para acabar com a greve de mineiros e paulistas, a fábrica da Fiat/Jeep mantém sua aliança com o cartel que controla o setor de transporte de veículos novos no País. Enquanto isso, os carreteiros filiados ao Sindicato dos Cegonheiros de Pernambuco (Sintraveic-PE) completam três meses de protesto.

A montadora abocanhou R$ 7 bilhões em financiamentos públicos, conquistou inúmeras isenções fiscais e se comprometeu a contratar empresas pernambucanas para transportar os veículos fabricados em Goiana (PE). Entretanto, desde que começou a operar, a Fiat entregou os fretes ao comando da Sada Transportes e Armazenagens, que tem sede em Minas Gerais.

Mobilização completa 90 dias
Os legítimos cegonheiros pernambucanos já se queixam da falta de recursos provocada por 90 dias sem operar no setor. Os caminhões-cegonha estão estacionados às margens da BR-101 nas proximidades da montadora. Antes, estiveram parados no centro de Recife, quando receberam ordem judicial para desocupar as vias públicas.

Em seguida, o grupo deslocou-se para a praia de Boa Viagem, onde novamente foi alvo de ação judicial. As duas chanceladas pelo Governo do Estado e pela Prefeitura do Recife. Os executivos estadual e municipal apoiam as operações com as empresas acusadas de formação de cartel em detrimento dos cegonheiros pernambucanos.

Perda de R$ 140 milhões/ano
Dados levantados pelo próprio Sintraveic mostram que o Estado de Pernambuco deixa de arrecadar R$ 140 milhões por ano com a decisão da Fiat de contratar cegonheiros mineiros e paulistas. Os recursos seriam carreados aos cofres públicos estaduais, caso os cegonheiros que protestam há três meses fossem contatados para participar do escoamento da produção da Fiat/Jeep.

Os cegonheiros pernambucanos também reclamam da postura do governo do Estado. Segundo eles, enquanto a montadora descumpre o Prodeauto, programa que prevê a contratação de cegonheiros pernambucanos, “o governo fica de braços cruzados”. O Sintraveic lamenta o fato de até hoje o governador Paulo Câmara sequer ter respondido ao pedido de audiência protocolado pela entidade.