Ex-governador diz que retorno de investimentos públicos direcionados a montadoras é pífio

O ex-governador e atual senador da República Roberto Requião (PMDB/PR) condenou as vantagens concedidas por governos a empresas petrolíferas e a montadoras de automóveis. No caso da indústria automobilística, ele qualificou de “pífio” o retorno dos investimentos públicos concedidos ao setor. As críticas foram proferidas no plenário do Congresso Nacional, em 6 de novembro.

Montadora pagou apenas R$ 1,5 milhão em impostos em seis anos

Em 2010, Requião já usara a tribuna para denunciar as discrepâncias decorrentes desse tipo de política. Na ocasião, lembrou do segundo ano dele como governador do Paraná:

“Em 2004, fui dar uma olhada para ver quanto a Renault havia contribuído em ICMS, depois de seis anos instalada no Estado. A multinacional havia pagado em impostos a ridícula quantia de R$ 1,5 milhão.”

Ele referiu-se à instalação da Renault em solo paranaense. Segundo Requião, os benefícios concedidos pelo governador que o antecedeu (Jaime Lerner) somaram bilhões.

“Para que a Renault, a Volkswagen, a Chrysler se instalassem no Paraná, Jaime Lerner ofereceu os anéis e também os dedos. Além de doar o terreno, fazer a terraplanagem, as obras de infraestrutura, de isentar ou postergar o recolhimento do ICMS a perder de vista, de liberar financiamentos abrindo mão de juros e correção monetária, Lerner subscreveu um capital de 136 milhões de dólares em ações da Renault! Deu tudo e mais um pouco e ainda premia a multinacional com 136 milhões de dólares. Ações essas, não é preciso dizer, que viraram pó.”

“As concessões foram tantas que o governo do Estado tornou secretos e inacessíveis à opinião pública, ao Judiciário, à Assembléia, ao Tribunal de Contas os acordos, os protocolos assinados com a fábrica francesa”, ressaltou.

Para o senador eleito pelo Paraná, “entregar o suado dinheiro que é esfolado” dos brasileiros via impostos e dar isenção às empresas mais ricas do planeta também é uma forma de corrupção.

O senador recordou o episódio em que abriu mão de planta da Fiat no Paraná. A montadora italiana pretendia construir uma unidade para fabricar máquinas agrícolas da marca New Holland.

“A Fiat balançava entre se instalar no Paraná ou Minas Gerais. Recebo no palácio um dirigente da fábrica italiana, que vai logo fazendo numerosas exigências para montar a fábrica em meu Estado. Queria tudo: isenções de impostos, terreno, infraestrutura, berço especial no porto de Paranaguá e mais algumas benesses.”

Como resposta, Requião ligou para Hélio Garcia, então governador de Minas e o cumprimentou pela conquista:

“Parabéns, Hélio, você acaba de ganhar a fábrica da New Holland, porque não aceito nenhuma das exigências da Fiat para atrair a fábrica, e já que Minas aceita, a fábrica vai para Minas.”

Dias depois, o mesmo diretor da Fiat comunicou ao governador que a New Holland iria se instalar no Paraná. Requião explicou os motivos da multinacional:

“Por quê escolheram o Paraná? Pela obviedade dos fatos: o Paraná à época, era o maior produtor de grãos do Brasil e, logo, o maior consumidor de colheitadeiras do país; a fábrica ficaria a apenas cem quilômetros do porto de Paranaguá; tínhamos mão-de-obra altamente especializada e assim por diante. O grande incentivo que o Paraná oferecia era o mercado.”