Sem condições de competir, cartel recorre à práticas criminosas

Sem condições de oferecer inovação, gestão eficiente e preços competitivos, representantes do cartel do cegonheiros recorrem a velhas práticas criminosas para tentar assegurar o controle do mercado de transporte de veículos novos no País. Um grupo denominado “Cegonheiros em Luta” distribuiu nesta semana panfleto acusando empresas que ousam trabalhar no setor de pagar propina e de fazer parte de esquema de lavagem de dinheiro. O conteúdo foi disparado nas redes sociais no momento em que a Volkswagen realiza cotação de preço para contratar novos parceiros para transportar a produção da montadora.

A prática atual não difere nenhum um pouco da usada em 2003 contra a Transportes Gabardo. Na ocasião, a operadora logística gaúcha foi impedida de escoar os veículos produzidos pela Iveco (fábrica de caminhões da Fiat) devido a acusações de irregularidades que lhe foram atribuídas em anúncio pago, publicado no jornal Zero Hora.

Autor das denúncias foi processado e condenado
O autor das denúncias não conseguiu provar nenhuma das acusações. Acabou processado e condenado a pagar indenização por danos morais. Até o momento, não depositou um único centavo à vítima, por falta de condição financeira. Sem ajuda de pessoas ligadas ao cartel, ele dificilmente teria recursos para pagar o anúncio que mandou publicar.

Multinacional idônea
Ainda assim, a publicação foi suficiente para a Iveco justificar a exclusão da transportadora gaúcha. Em documento, a subsidiária da Fiat escreveu:

“A Gabardo, apesar de ter sido homologada tecnicamente, não será incluída no rol, por estar sendo alvo de acusações consideradas graves, não podendo a Iveco, como empresa multinacional idônea, ser ligada a tais fatos. Não invalida que, no futuro, após esclarecidas essas questões, a mesma não possa ser considerada.”

Opção pelo cartel
A montadora da Fiat preferiu seguir pagando até 70% mais caro pelo valor do frete à Sada Transportes e Armazenagens. O preço superfaturado foi confirmado em levantamento realizado pelo Ministério Público Federal (MPF).

A política de contratação de transportadoras parece ter mudado na Iveco. Hoje a “multinacional idônea” mantém como operadora logística empresa envolvida em formação de cartel.