Greve deflagrada por donos de transportadoras causa prejuízo milionário à Volkswagen

Prejuízo causado pela interrupção do transporte de veículos produzidos pela Volkswagen no Brasil ultrapassa R$ 280 milhões. O valor refere-se só ao mercado interno. As exportações também foram atingidas, mas as perdas ainda não foram levantadas. Não estão computados os prejuízos registrados na operação das três fábricas instaladas no País (duas em São Paulo e uma e no Paraná). Em oito dias, cerca de 7 mil automóveis deixaram de ser entregue às 800 concessionárias. A montadora prefere não se manifestar sobre o assunto, mas dá continuidade ao BID (cotação de preços).

Os serviços de fretes prestados à marca alemã foram suspensos em 29 de novembro. O locaute, ou greve de patrões, foi deflagrado por decisão dos donos de transportadoras que resolveram punir e intimidar a empresa automobilística por abrir concorrência para mudar fornecedores responsáveis pelo transporte de veículos novos.

Locaute prejudica reação da montadora
O locaute ocorre justamente no momento em que o mercado doméstico começa a se recuperar. Volkswagen é a terceira montadora que mais vende veículos no País. GM e Fiat ocupam a primeira e segunda colocação, respectivamente. Em novembro, a participação da Volkswagen no mercado interno de automóveis e veículos leves chegou a 12,96%, superando a Fiat. No acumulado do ano, a participação da montadora alemã atinge 12,52%. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

MPF avisa que defende concorrência
O Ministério Público Federal (MPF) avisou, por meio de nota (link), que acompanha os locautes promovidos no setor desde 2016. Os procuradores requisitaram informações da montadora e ressaltaram que o foco do MPF é defender a concorrência.

Os organizadores do bloqueio da Volks são associados ao Sinaceg – Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo. A entidade descumpre decisão judicial ao organizar e participar da greve.  Na terça-feira, 5, o MPF/RS, por onde houve a condenação, recebeu duas denúncias apontando descumprimento de sentença judicial  e a continuidade de prática de delitos por criminosos já condenados por formação de cartel.

O site Livre Concorrência estimou a venda de cada carro pelo valor médio (baixo) de R$ 40 mil. O mesmo valor, considerado baixo inclusive por procuradores, foi utilizado pelo Ministério Público Federal (MPF) para calcular o prejuízo causado pelo superfaturamento do valor dos fretes praticado pelo cartel entre 1997 e 2014. Nesse período, o sobrepreço de no mínimo 25% acrescentado ao valor do frete custou aos consumidores brasileiros R$ R$ 7,7 bilhões a mais. Como nem todos os carros custam menos de R$ 40 mil, os danos causados pelo cartel à sociedade e à Volkswagen são muito maiores.