Justiça paulista manda força policial desobstruir portões da Volkswagen

O juiz Gustavo Dall’Olio, da 8ª  Vara Cível de São Bernardo do Campo, São Paulo, requisitou ontem força policial e atuação dos órgãos de trânsito para que “desobstruam os acessos da Volkswagen do Brasil”, incluindo a “remoção de obstáculos, pessoas ou coisas”. A determinação atende ao pedido de liminar formulado pela montadora que tem o escoamento da sua produção impedido por manifestantes ligados ao cartel que controla o setor de transporte de veículos novos.

Depois dos prejuízos que vem sofrendo desde o início dos bloqueios promovidos por integrantes do Sinaceg e sindicato dos Rodoviários, com o apoio das transportadoras Tegma, Transauto, Brazul, Transzero e Dacunha, a montadora ajuizou ação com pedido de liminar no último dia 7. O escoamento da produção está parado desde o dia 29 de novembro. A Volkswagen alega que os atuais prestadores de serviço pressionam para que a montadora desista da contratação de novos transportadores.

No início da tarde, o comando da Polícia Militar enviou inúmeras viaturas à sede da Volkswagen para acompanhar oficiais de justiça. Até o início da noite, no entanto, nenhum caminhão-cegonha havia sido carregado, apesar de a montadora afirmar ter contratado transportadores emergenciais.

Cartel pretende resistir
Segundo informações levantadas pelo portal Livre Concorrência, cegonheiros pretendem resistir à determinação judicial. Um ato de protesto está sendo preparado para às 5 horas deste sábado.

Na petição inicial, a Volkswagen do Brasil demonstra a clara intenção de romper de vez com a cartel enraizado no setor em todo o país, ao afirmar:

“A relação sempre apresentou momentos de acentuada contenda, especialmente em razão da atuação de prepostos das empresas rés responsáveis pelo transporte dos veículos, popularmente conhecidos como cegonheiros, organizados sob os sindicatos Sintetra, Sindicam e Sinaceg, em conjunto com as empresas rés.”

As empresas rés são: Tegma, Transauto, Transzero, Brazul e Dacunha (as três últimas pertencentes ao grupo Sada).