Cegonheiros descumprem medida judicial e mantêm piquetes na Volkswagen

Empresários cegonheiros instalaram novamente piquetes nas portarias da montadora Volkswagen do Brasil, em São Bernardo do Campo. A ação teve início por volta das 5h deste sábado (9), como forma de manifestação contra liminar expedida pela Justiça na sexta-feira, cujo teor obriga o desmanche do cerco à empresa. A fábrica amanheceu sem qualquer policiamento. A montadora está com o transporte de veículos novos interrompido desde 29 de novembro.

Os principais portões da VW foram ocupados pelos manifestantes que, porém, permitiram que parte da frota destinada à exportação fosse transportada pela Brazul e Tegma. As duas transportadoras fazem parte do esquema para desmantelar a estratégia da VW de contratar outros fornecedores fora do cartel que controla o setor.

Sinaceg (ex-Sindicam) já descumpre duas decisões judiciais
Pouco antes do início da manifestação deste sábado, alguns cegonheiros estacionaram os caminhões na portaria do pátio da montadora, no bairro Terra Nova. Em uma das cegonhas, os manifestantes instalaram uma faixa negra com a palavra “luto”, em branco. Uma microvan branca (flagrada na foto de abertura) chegou às 6h10 com lanche e café.

Conforme os cegonheiros, o fornecimento dos alimentos foi realizado pelo Sinaceg. Além de seguir organizando o movimento atual, desrespeitando decisão judicial, o sindicato paulista descumpre outra determinação da Justiça Federal. Desde junho de 2016, a entidade está impedida de participar  de contratação ou intermediação de transporte de veículos novos por montadoras de todo o País.

Intimidação ostensiva
Apesar da aglomeração, a Polícia Militar não havia sido acionada até as 12h30. Esse ato dos cegonheiros se difere dos promovidos em outras ocasiões pela intimidação que muitos participantes direcionaram contra a população que transitava na região. Conforme informações levantadas pelo site Livre Concorrência, a direção sindical do movimento destacou funcionários e sindicalizados para averiguar cada pessoa e veículo que passa pelo bloqueio.

A rua Antônio Francisco Zanellato, onde está instalado o pátio para carregamento dos veículos, é o acesso direto do bairro Terra Nova à Rodovia Anchieta. Muitos moradores daquela localidade trafegam a pé pela via para chegar aos pontos de transporte público da rodovia.

Pedestres queixam-se da agressividade dos sindicalistas
Uma faxineira que preferiu não se identificar disse estar preocupada com a presença dos caminhoneiros. “Mesmo que a gente seja educada com eles, preferem não falar sobre o que estão fazendo e muitos são agressivos”, descreveu a mulher de 42 anos.

As transportadoras Tegma, Transauto, Brazul, Transzero e Dacunha (as três últimas pertencentes do grupo Sada) são alvo de ação movida pela montadora pois, aliadas ao Sinaceg e ao Sindicato dos Rodoviários do ABC, bloquearam as portarias da empresa impedindo o acesso de caminhões.

Em virtude dos prejuízos causados pelo bloqueio, o juiz Gustavo Dall’Olio, da 8ª Vara Cível de São Bernardo do Campo, requisitou força policial e atuação dos órgãos de trânsito para que os acessos à Volkswagen fossem liberados. A ordem incluiu a “remoção de obstáculos, pessoas ou coisas”. A Volkswagen alega que os atuais prestadores de serviço pressionam para que a montadora desista da contratação de novos transportadores.

Os caminhões-cegonhas contratados de forma emergencial pela Volkswagen, conforme anunciado pela montadora, não apareceram neste sábado.