Volkswagen pode repetir a farsa de 2015

Depois de denunciar à Justiça paulista estar sendo alvo de retaliações de uma organização criminosa envolvendo cegonheiros de três sindicatos, com o apoio das operadoras de logística e transportadoras Tegma, Transauto, Transzero, Brazul e Dacunha (as três últimas pertencentes ao grupo Sada), a Volkswagen do Brasil acabou selando acordo com os denunciados.

A confirmação foi feita por meio de petição ao juiz Gustavo Dall’Olio, titular da 8ª Vara Cível da comarca de São Bernardo do Campo. A greve deflagrada por donos de transportadoras completou nesta segunda-feira 15 dias. Há dois anos, a montadora iniciou processo idêntico e manteve o cartel após pressão das mesmas transportadoras e sindicatos. Essa atitude foi considerada como um golpe branco pelos participantes que se sujeitaram concorrer.

Na sexta-feira 6, a montadora ingressou com ação contra o Sindicato dos Cegonheiros (Sindicam e Sinaceg) e dos Rodoviários (Sintetra), incluindo como corrés, as cinco transportadoras. Nesse dia, a autora queixou-se de estar sendo vítima de movimento de paralisação do escoamento da produção por parte dos acusados, por estar promovendo processo denominado BID (cotação de preços) para contratar novos transportadores,  A liminar determinando a desobstrução de todos os acessos à fábrica foi deferida pelo magistrado, a pedido da própria montadora.

Na petição, a montadora expôs publicamente as entranhas do péssimo relacionamento com os fornecedores réus, pedindo providências do Judiciário para que pudesse escoar a produção através de cegonheiros contratados emergencialmente. A retaliação de cegonheiros filiados aos sindicatos réus e agregados às transportadoras corrés, segundo a Volkswagen, estava a impedir a busca na melhoria da qualidade na prestação de serviços e de valores mais competitivos, já que os corréus, em comunhão, cobram preços majorados.

Força policial não atuou
A força policial requisitada pelo Judiciário para fazer cumprir a liminar sequer foi utilizada, já que a própria advogada da montadora, Tatiana Tiberio luz, informou o início das negociações visando o acordo. E menos de 72 horas, a Volkswagen do Brasil selou acordo com cegonheiros e transportadoras que denunciou por ações criminosas e atentatórias à livre concorrência.

Confira o que os advogados da montadora alegaram para desobstruir a fábrica:

“Os cegonheiros sindicalizaram-se e se uniram para coordenar a negociação de preços de frete praticados no mercado automobilístico. Com isso, propiciaram as condições para a fixação de preços de frete majorados e para a criação de reservas de mercado, em prejuízo da livre concorrência. Não é aceitável que a Volkswagen, periodicamente, assista perplexa ao bloqueio do acesso de sua propriedade à via pública pelas rés e os cegonheiros a elas associados, suportando as consequências nefastas da paralisação de suas atividades. Isso não pode ser permitido.”

Mais do que isso, os advogados detalharam a rotina de conflitos com o cartel nos últimos 15 anos:

“Violações ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da livre concorrência – além de medo de represálias, histórico de condutas transgressoras e associação ilegal para fixar preços superfaturados de fretes – fazem parte da lista de crimes praticados pelo cartel.”