Duas ações penais de São Paulo contra Medioli avançam em Minas Gerais

A Justiça de São Bernardo do Campo (SP) decidiu encaminhar para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais duas ações penais em que Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada, consta como um dos réus. Nas ações ajuizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as acusações são de crimes de formação de cartel e de formação de quadrilha, crimes de organização ou associação criminosa, falsos documentais e tributários além de lavagem de dinheiro. O fato de Medioli atualmente ser prefeito de Betim, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte, atraiu a competência para o TJ mineiro.

Os dois procedimentos correm em segredo de Justiça, mas o site Livre Concorrência conseguiu apurar que pelo menos um deles chegou ao TJ mineiro em 7 de junho deste ano. Em novembro, foi suscitado “conflito negativo de competência”. Houve a remessa dos autos ao Grupo de Câmaras Criminais competente para apreciação, o Primeiro Cartório de Feitos Especiais.

Nesse mesmo mês, o processo, sob nova numeração, foi recebido pela 1ª Vice-presidência do Tribunal de Justiça. No dia 29 de novembro, os autos foram encaminhados para a Procuradoria-Geral de Justiça com a finalidade de receber parecer do Ministério Público mineiro.

Os crimes de Vitorio Medioli e outros, segundo o Gaeco:
1 – Formação de cartel;
2 – Formação de quadrilha;
3 – Crimes de organização ou associação criminosa;
4 – Falsos documentais e tributários;
5 – Lavagem de dinheiro.

Também caberá ao Tribunal de Justiça do Estado decidir se irá fracionar as ações penais, deixando em Minas Gerais somente as acusações que pesam contra o atual prefeito de Betim, Vittorio Medioli. Nesse caso, segundo um criminalista consultado pelo site Livre concorrência, “os processos contra os demais réus retornam para a origem, São Bernardo do Campo (SP)”. Em uma das ações, além de Medioli, há mais 12 réus (um deles já falecido)

Volkswagen mantém aliança com o cartel
No início do mês, três transportadoras controladas por Medioli, a Brazul, a Transzero e a Dacunha, se envolveram no escândalo do BID (cotação de preços) da Volkswagen do Brasil. Em conluio com a montadora alemã, as empresas acusadas de formação de cartel, juntamente com o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg), orquestraram um locaute (greve de patrões), impedindo o escoamento da produção da VW.

Uma ação na Justiça foi ajuizada pela montadora que pediu a concessão de liminar para desobstruir os acessos à fábrica. A medida foi concedida pela 8ª Vara Cível de São Bernardo do Campo, mas não chegou a ser cumprida por ação da advogada da montadora, que anunciou acordo entre as partes e chegou a confidenciar ao oficial de Justiça que o cumprimento da ordem Judicial iria comprometer o acordo. O fato pode gerar ação penal contra o presidente da montadora, o argentino Pablo Di Si, por aliança à organização criminosa que denunciou.