Cartel dos cegonheiros está mobilizado para interferir no transporte das marcas Peugeot e Citröen

Depois de bloquear por 15 dias o acesso à planta da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) e interromper o processo da fábrica alemã para contratar novas transportadoras, o cartel dos cegonheiros tenta agora impedir que montadora e operadora logística exerçam o direito constitucional de escolher o menor preço e os melhores serviços para escoar a produção de automóveis. A vítima dessa vez é o Groupe PSA, dono das marcas Peugeot e Citröen.

Os atuais prestadores de serviço não aceitam perder ou dividir a carga com outra empresa recém-contratada pela Gefco, operadora logística do grupo francês. Durante dois dias (19 e 20 de janeiro), cegonheiros autônomos subordinados ao cartel mobilizaram-se em frente à fábrica localizada no município de Porto Real, no Estado do Rio de Janeiro.

Sada e Brazul
Por trás dos cegonheiros autônomos que reclamam da ameaça de ficar sem trabalho estão três grandes transportadoras relacionadas ao cartel dos cegonheiros: Sada Brazul e Autoport. As duas primeiras são de propriedade de Vittorio Medioli, dirigente máximo do grupo Sada. O empresário nascido na Itália e atual prefeito de Betim (MG) é um dos “chefes da máfia” que controla o transporte de veículos novos no País, segundo relatórios da Polícia Federal e MPF. A foto de abertura mostra um caminhão-cegonha de empresário agregado à Sada integrado à manifestação.

Eles só voltaram a trabalhar na segunda-feira (20). Não se sabe se houve acordo. Uma outra reunião teria ocorrido na tarde dessa terça-feira (30). Nem a Gefco nem os representantes do Sindicato das Empresas e Autônomos de Transporte Rodoviário de Veículos do Estado do Rio de Janeiro (Sintrav-RJ) falam sobre o assunto.

A mobilização iniciada em 19 de janeiro foi deflagrada um dia depois de a empresa BSM Transportes – instalada em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre (RS) – começar a transportar os veículos das marcas francesas. No quadro de sócios da transportadora aparece a própria Gefco Logística do Brasil. x

BID da Volkswagen
Como resultado do bloqueio da fábrica da Volkswagen pelo cartel, no final do ano passado, fala-se em possível acordo entre a montadora alemã e os representantes do esquema criminoso que domina o setor. Por enquanto, sabe-se apenas que a Volks denunciou o cartel à Justiça e depois retirou o processo no mesmo dia em que a mobilização foi encerrada. O resultado do BID é ignorado pelas empresas que aceitaram concorrer. Prestadores de serviços ligados ao cartel dizem nas redes sociais que nada mudará nas plantas da Volks.