Presidente da Volks é acusado de se associar ao cartel dos cegonheiros

O argentino Pablo Di Si, presidente da Volkswagen do Brasil, virou alvo na semana passada de dois pedidos de abertura de processos na área criminal. As representações foram protocoladas no  Ministério Público Federal (MPF) e no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – setor especializado do Ministério Público do Estado de São Paulo.  Procurados, os dois órgãos ministeriais sediados em São Bernardo do Campo (SP) não se manifestaram sobre as questões.

A causa que levou ao pedido de abertura de procedimentos criminais, segundo apurou o portal Livre Concorrência, foi a atitude da montadora alemã, sob o comando de Di Si, no episódio da greve dos cegonheiros (empresários) ocorrida no início de dezembro do ano passado. A Volkswagen ajuizou ação com pedido de liminar para desobstruir os acessos à fábrica.

Na petição enviada à Justiça, a montadora alegou, entre outras razões, que os cegonheiros estavam agindo para impedir o exercício da livre concorrência. Estava em curso um processo denominado BID (cotação de preços) com vistas à contratação de outros transportadores. A foto de abertura foi tirada durante o bloqueio à montadora pelo cartel dos cegonheiros.

De acordo com informações obtidas com exclusividade pelo Livre Concorrência, Di Si, como comandante máximo da montadora no Brasil, está sendo responsabilizado criminalmente pelo fato de a Volkswagen ter revelado ao Poder Judiciário o seu conturbado relacionamento com cegonheiros e empresas que atualmente fazem o escoamento da produção e, menos de 24 horas depois, ter firmado acordo com os denunciados para dar continuidade às operações de transporte.

Foi solicitado ao Gaeco e ao MPF o ajuizamento imediato de ação penal contra o presidente da montadora no Brasil, acusado de infringir artigos das leis 8.137/90, 12.850/2013, incluindo o artigo 71 do Código de Processo Penal, que trata dos chamados crimes continuados. O autor das denúncias está sendo mantido sob sigilo.

Antecedentes conhecidos
Tanto o Gaeco quanto o MPF de São Bernardo do Campo conhecem os antecedentes da atuação do cartel dos cegonheiros – organização criminosa que continua controlando o setor de transporte de veículos novos. O Gaeco já possui duas ações penais de sua autoria em andamento na Comarca local. Os dois procedimentos judiciais foram encaminhados ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais porque um dos denunciados, Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada, atualmente exerce o cargo de prefeito de Betim, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

No âmbito do MPF, pelo menos três inquéritos envolvendo os cartel dos cegonheiros estão em andamento. Um deles foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Outro, datado de 2015, ainda está na fase de investigação, segundo a Assessoria de Comunicação. Completa a lista, o pedido de ajuizamento de ação penal protocolado no último dia 31.