Álvaro Dias alia-se a sindicato e a empresário envolvidos em formação de cartel e associação criminosa

Acusações de monopólio no transporte de veículos novos, invasão de base territorial e violência contra trabalhadores paranaenses foram colocadas de lado pelo senador Álvaro Dias. O pré-candidato pelo Podemos à Presidência da República mudou o discurso e aliou-se recentemente à entidade condenada por formação de cartel, o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam). Também uniu-se ao prefeito de Betim e dono do grupo Sada, Vittorio Medioli – denunciado por chefiar a associação criminosa que controla o setor, conforme inquérito da Polícia Federal.

A aproximação com o cartel dos cegonheiros ficou evidente em setembro do ano passado, quando o pré-candidato foi convidado pela diretoria do Sinaceg para cerimônia de abertura da 19ª Expo de Transportes do ABCD, evento promovido pela entidade, considerada o braço político da organização criminosa que controla o mercado de transporte de veículos novos, segundo investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

“Para nós é uma grande honra estarmos ao lado dos cegonheiros”, afirmou em 22 de setembro, na cidade de São Bernardo do Campo (SP). Dezesseis anos antes, em 23 de abril de 2002, o senador pelo Estado do Paraná denunciava na tribuna do Senado o Sinaceg por “tentativa de monopólio” e de “invasão de base territorial”.

“Essa tentativa de invasão da base territorial do Paraná por um sindicato com sede em São Paulo (Sinaceg) está provocando indignação, revolta, desemprego e manifestações que acabam, lamentavelmente, em violência.”

O Sinaceg reúne todos os empresários que prestam serviços às transportadoras dos grupos Sada e Tegma, cujas operações representam mais de 95% do bilionário mercado de fretes de veículos novos no País. As atividades ilegais praticadas pela entidade levaram procuradores da República a pedir à Justiça o fechamento da entidade, por fugir da territorialidade de representação (é um sindicato paulista que atua em nível nacional) e por desempenhar atividades ilícitas contrárias à ordem econômica e à livre concorrência.

Medioli coordenará campanha de Dias em Minas Gerais
Na cerimônia de filiação de Medioli ao Podemos (foto de abertura), realizada em 20 de fevereiro, Dias deu boas-vindas ao empresário que combatia no passado.

“A filiação de Medioli não é apenas um salto de qualidade, mas a definição de rumo que queremos.”

Em 2002, Dias destacava apuração do MPF sobre participação da Sada, cujo dirigente máximo é Medioli, no cartel dos cegonheiros:

“O Ministério Público Federal, por meio do Procurador da República do Ofício do Consumidor e da Ordem Econômica, lotado no Rio Grande do Sul, já vem investigando o monopólio do transporte de veículos das montadoras no Brasil, onde dois grupos operam: um deles é o Grupo Sada Transporte, um grupo italiano responsável por várias empresas, entre elas a Brazul, T. Norte, Da Cunha, Transzero.”

Decepção com políticos
Para finalizar, vale lembrar a avaliação de Dias sobre o momento político vivido pelos brasileiros, em discurso proferido na feira promovida pelo Sinaceg:

“Os políticos infelizmente decepcionaram nos últimos anos. Os governos foram incompetentes e corruptos. Temos de recuperar a esperança perdida e tentar mais uma vez.”

Em sua coluna semanal, publicada neste domingo no jornal O Tempo, Medioli analisou os pré-candidatos à Presidência da República. Sobre Álvaros Dias, escreveu:

“Álvaro Dias estreia numa disputa presidencial com 73 anos de idade e 50 de política, pela qual transitou como governador do Paraná mais bem avaliado e um currículo irretocável. Sem ser novidade, entretanto, se apresenta como a única novidade associada à ética e à experiência. É um candidato de forte potencial.”

A propósito, Medioli é dono do jornal O Tempo. O Portal Livre Concorrência encaminhou e-mail ao gabinete, mas o senador Álvaro dias não quis dar retorno.

Crédito da foto: Divulgação/Podemos