Vaga em sindicato do Paraná cooptado pelo cartel dos cegonheiros é disputada na Justiça

Uma vaga para para transportar veículos novos no bilionário mercado dominado pelo chamado cartel dos cegonheiros está em disputa na comarca de São José dos Pinhais, no Paraná. Na próxima segunda-feira, nova audiência está programada. A ação judicial envolve Luciano Jardim Clemes, o Pernalonga, atual integrante da diretoria do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers), e Afonso Rodrigues de Carvalho, o Magayver (na foto de abertura), presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO).

O direito de transportar para montadoras de automóveis foi prometido a Pernalonga, quando Magayver era presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Paraná. Conforme acordado, Pernalonga ficaria com a vaga caso a Justiça desse ganho de causa à entidade em disputa judicial contra o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sindicam, atual Sinaceg). A agremiação do Paraná requereu na Justiça o direito de representar os cegonheiros daquele Estado e impedir que o Sinaceg atuasse fora da base territorial paulista.

Quatro marcas produzem automóveis no Paraná (Volkswagen, Audi, Renault e Nissan). À época da disputa pela base territorial  envolvendo as duas entidades, o senador Álvaro Dias defendia os interesses dos cegonheiros paranaenses. Recentemente o ex-governador do Paraná aliou-se à organização criminosa que combateu no passado.

Num acordo até hoje mal explicado, o sindicato paranaense perdeu a disputa com o Sinaceg. Mais tarde, a entidade paulista, considerada braço político do cartel que controla o setor, segundo Ministério Público Federal e Polícia Federal, acabou cooptando os dirigentes paranaenses e assumindo o controle do sindicato. As negociações da cooptação, pela entidade paranaense, foram conduzidas por Ricardo Rosseti e Inácio João dos Santos.

Imposição da entidade considerada braço político da máfia
De posse de documento firmando a promessa, Pernalonga pediu judicialmente que Magayver faça a transferência da referida vaga, condição imposta pelo Sinaceg, que cooptou o sindicato paranaense com a oferta de 60 vagas. A manobra foi repudiada pelo atual presidente do sindicato goiano.

Em maio de 2011, Pernalonga prestou depoimento à Polícia Federal, denunciando a venda de vagas em empresas do cartel, no inquérito que indiciou Vittorio Medioli, proprietário da Sada Transportes e Armazenagens como “chefe da associação criminosa que atua no setor de transporte de veículos novos”. O inquérito está em diligências no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por conta do foro a que Medioli tem direito, agora ele também é prefeito de Betim (MG).