Maior crítico das atividades criminosas praticadas pelo cartel dos cegonheiros, Pastor Eurico vai se reunir com dirigentes da Jeep

O deputado federal Pastor Eurico (PHS-PE) deverá reunir-se com a direção da Jeep nesta segunda (26) ou terça-feira (27). No encontro, previsto para ocorrer na sede da montadora instalada em Goiana (PE), será discutida a contração de empresas pernambucanas para escoar parte da produção da planta instalada na Região Metropolitana de Recife. Até o momento, os 179 mil automóveis fabricados por ano pela Jeep são integralmente transportados por pessoas jurídicas de São Paulo e Minas Gerais controladas pelo grupo Sada, cujo dono, o empresário e político mineiro Vittorio Medioli, é acusado de chefiar a associação criminosa que domina o transporte de veículos novos no Brasil, conforme inquérito da Polícia Federal.

 

A reunião ocorre na semana em que a mobilização dos cegonheiros pernambucanos contra o monopólio da Sada completa 240 dias. O avanço nas negociações com os executivos da Jeep coincide com a mudança de postura do governo estadual em relação aos manifestantes. Até poucos dias atrás, a equipe do governador Paulo Câmara nem sequer aceitava receber em audiência os representantes dos carreteiros.

Primeiro contato
O primeiro contato com o executivo estadual em oito meses de mobilização aconteceu em 12 de março, mais de 220 dias depois de a categoria deflagrar o protesto contra o chamado cartel dos cegonheiros. Na ocasião, o governador Paulo Câmara, acompanhado pelo chefe da Casa Civil, secretário Nilton Motta, e o procurador-geral do Estado, Antônio César Caúla Reis, recepcionou o presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Pernambuco (Sintraveic-PE), Milton Freitas e o deputado Pastor Eurico. O parlamentar é considerado o maior crítico das práticas cartelizantes que violam os princípios da livre concorrência no setor.

A reunião durou uma hora e dez minutos. Paulo Câmara pediu prazo de dez dias para encaminhar, junto à Jeep, uma solução para o conflito. Na última terça-feira (20), o próprio governador viajou para Brasília, onde se reuniu com diretores da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), proprietários da marca Jeep.

Na sexta-feira (23), Pastor Eurico voltou ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. Ficou acertado para esta semana reunião do parlamentar com dirigentes da Jeep.

Cartel prejudica governos, trabalhadores e até montadoras
Para Pastor Eurico, o cartel que controla o setor prejudica governos, empresas que não estão subordinadas ao esquema e trabalhadores autônomos que se recusam a comprar vagas para transportar veículos novos. Para ele, até as montadoras são vítimas dessa associação criminosa:

“Cerca de 100 empresas de transporte de Pernambuco estão sem poder trabalhar vitimizadas pelo esquema cartelista que impera causando dificuldades até para as montadoras de veículos. Os verdadeiros cegonheiros de Pernambuco aguardam uma solução pacífica da Justiça junto à Fiat e ao governo de Pernambuco.”

Visita do presidente Michel Temer
Ainda na tarde de sexta-feira (23) Pastor Eurico (foto de abertura) juntou-se à manifestação dos cegonheiros pernambucanos, em solidariedade aos profissionais mobilizados há oito meses. No mesmo momento, o presidente da República Michel Temer visitava as instalações da montadora. O que disse Pastor Eurico:

“Fui prestar solidariedade aos cegonheiros que estão acampados há mais de 230 dias ao lado da fábrica da Fiat, esperando que a Justiça resolva a questão dessa categoria, vítima do cartel dos transportes de veículos novos no Brasil.”

Atualmente os cegonheiros estão concentrados nas imediações da Fábrica da Jeep, em Goaiana, ao longo da BR-101. A manifestação é pacífica e não bloqueia o acesso à montadora.

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Entenda o caso
A principal queixa dos cegonheiros pernambucanos é quanto ao descumprimento do programa Prodeauto, firmado entre o governo do Estado de Pernambuco e a FCA/Fiat. Alegam que no documento está prevista a contratação de transportadores pernambucanas para também operarem no escoamento da produção da Jeep.

O grupo de cegonheiros sofreu perseguição política por parte do governo do Estado e da prefeitura do Recife. Os dois entes chegaram a ajuizar ação judicial para impedir o protesto pacífico dos cegonheiros. No ano passado, tiveram de abandonar o centro de Recife onde estavam estacionados. Seguiram para a praia da Boa Viagem, de onde foram novamente retirados por ordem da Justiça. Logo em seguida, montaram acampamento na BR-101, nas imediações da montadora, onde permanecem até hoje.