Justiça nega pedido de Medioli que pretendia proibir jornalista de exercer profissão

A juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, da 5ª Vara Criminal do Foro de Porto Alegre, negou, em 16 de abril, pedido feito por Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada e atual prefeito de Betim (MG). Em ação penal privada, Medioli, que é acusado pela Polícia Federal de chefiar a associação criminosa que atua no setor de transporte de veículos novos em todo país, pediu para que a Justiça gaúcha determinasse a Ivens Carús, editor do portal Livre Concorrência, a suspensão do exercício da profissão de jornalista, “como aplicação de medida cautelar diversa à prisão”.

Em seu despacho, a magistrada sustentou a decisão:

“Tal medida aplica-se somente a crimes para os quais a lei possibilite o decreto de prisão, o que não é o caso dos autos, haja vista a pena máxima abstratamente cominada ao tipo penal em que o querelado foi dado como incurso, inferior a quatro anos enquanto a lei processual penal exige que seja superior a quatro.”

Medioli foi denunciado por formação de cartel e associação criminosa
Medioli e o diretor comercial da Sada, Edson Luiz Pereira, ajuizaram duas ações penais privadas contra o jornalista por discordar de matérias veiculadas no site Anticartel, atual Livre Concorrência. Outra de autoria da Sada também está tramitando. Tanto Medioli quanto Pereira foram denunciados por formação de cartel e de quadrilha pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP), ao lado de outros réus.

A ação, por conta do foro especial concedido a prefeitos, tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Oferta de propina para jornalista prestar depoimento falso
Há três anos, o vice-presidente da Sada, Luiz Alberto de Castro Tito, juntamente com executivos da Tegma Gestão Logística e da Brazul Transporte de Veículos, foi encarregado de oferecer R$ 1,5 milhão ao jornalista. Em troca, Carús deveria prestar falso depoimento à Justiça, acusando concorrentes dos grupos Sada e Tegma. O esquema foi denunciado ao Gaeco e ao Ministério Público Federal (MPF). Atualmente, Luiz Tito aparece como executivo da Orion, empresa que coordena a implantação do aeródromo de Betim, cidade governada por Vittorio Medioli.