Cartel impõe prejuízo de R$ 100,9 milhões aos consumidores da marca Renault em 2017

A conivência da montadora Renault do Brasil com o modus operandi da associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos impôs aos consumidores da montadora francesa um prejuízo que chegou a marca dos R$ 100.999.575,00 ao longo de 2017. O cálculo do custo pago a mais pelos compradores baseia-se na equação montada pelo Ministério Público Federal (MPF). A fórmula integra a apelação, em tramitação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, da sentença que condenou a General Motors do Brasil, Luiz Moan, ANTV e Sinaceg, por formação de cartel no escoamento da produção de veículos.

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Em 2017, os consumidores da Renault que compraram os 166.981 veículos (automóveis e comerciais leves) acabaram pagando, embutido no preço do bem, 25% a mais no valor do frete, por conta da ausência de concorrência no setor. Transportadores do cartel abocanharam R$ 403,9 milhões em frete nesse período.

Ágio no frete chega a 25% dos valores praticados fora do cartel
De acordo com o MPF, cegonheiros filiados ao Sinaceg, agregados aos dois principais grupos econômicos, Sada e Tegma, cobram sobrepreço equivalente a um quarto do valor do frete. Os dois grupos econômicos têm como braço político o Sinaceg. O conluio entre empresas e sindicato mantém o mercado fechado, impede o ingresso de novos agentes econômicos e inibe a livre concorrência.

A cada mês, os consumidores da marca Renault amargaram prejuízo equivalente a R$ 8,4 milhões, ou R$ 382,5 mil por dia útil. Com esse valor pago a mais, seria possível adquirir nada menos do que 3.300 veículos Clio, o mais barato da montadora francesa, que tem fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná. Por mês, o prejuízo alcança o equivalente a 274 modelos Clio – ou 12,5 carros por dia.

Alinhamento ao cartel
A exemplo de outras tantas, a Renault do Brasil mostra-se alinhada ao chamado cartel dos cegonheiros. Em agosto de 2013, a operadora de logística Catlog divulgou internamente que estava em vias de contratar nova transportadora. Os cegonheiros (empresários) filiados ao Sinaceg (ex-Sindicam, já condenado em 1ª instância por formação de cartel) deflagraram greve de patrões, denominada locaute. A manifestação, semelhante a que ocorreu em dezembro do ano passado na Volkswagen, fez com que a Renault recuasse e suspendesse a contratação de novo agente econômico. O cartel continua até hoje transportando veículos da montadora e impondo prejuízos milionários aos consumidores da marca, com a conivência da Renault do Brasil.