TJMG decide que 6ª Câmara Criminal vai julgar Medioli por associação criminosa, lavagem de dinheiro e formação de cartel

O prefeito de Betim e dono do grupo Sada, Vittorio Medioli, será julgado pela 6ª Câmara Criminal por associação criminosa, falsos documentais e tributário, formação de cartel no transporte de veículos novos e lavagem de dinheiro. A decisão, referente ao inquérito 1.0000.17.046051-3/000, foi tomada na última quarta-feira, 25, pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Essa e outras ações contra Medioli, originadas no Estado de São Paulo, foram encaminhadas ao TJMG por conta do foro especial que o réu conquistou ao eleger-se prefeito de Betim – cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Os 25 desembargadores da corte entenderam na última quarta-feira que a desembargadora Denise Pinho da Costa Val, titular da 6ª Câmara, tem competência para processar e julgar a investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de São Bernardo do Campo.

Inicialmente, Denise Pinho da Costa Val declinara da competência de julgar Medioli por considerar que o processo tem conexão com outro inquérito (1.0000.17.036746-0/000). Ambos tramitam no TJMG. Nessa outra ação, distribuída para o desembargador Adilson Lamounier, Medioli é acusado de formação de cartel, por meio de associação com pessoas ligadas ao transporte de automóveis zero-quilômetros. A organização criminosa, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, atua em várias cidades.

Os crimes praticados por Vittorio Medioli e outros réus, segundo o Gaeco (procedimento investigatório 1.0000.17.046051-3/000)
1 – Formação de cartel;
2 – Formação de quadrilha;
3 – Crimes de organização ou associação criminosa;
4 – Falsos documentais e tributário
5 – Lavagem de dinheiro.

Chefe de organização criminosa
Em outro inquérito que também tramita no TJMG, o terceiro, a Polícia Federal (PF) indiciou Medioli por associação criminosa e crimes contra a paz pública. O político e empresário de Minas Gerais  é acusado de ser o chefe da organização criminosa que controla o mercado bilionário no setor de transporte de veículos novos no país.

No relatório final desse inquérito foram desvendados diversos ilícitos penais ocorridos no setor, inclusive incêndios criminosos em caminhões-cegonhas de empresas sem vínculo com o cartel dos cegonheiros. Medioli é apontado como “suspeito de chefiar a quadrilha investigada”. Ao lado de Medioli, outros réus foram incluídos, a exemplo de Gennaro Oddone, executivo da Tegma Gestão Logística. Tegma e Sada controlam mais de 95% do setor.