Afinidade da Fiat/Jeep com o cartel aplicou a consumidores da marca prejuízo de R$ 233 milhões em 2017

Os valores cobrados a mais por transportadoras acusadas de participação no cartel que controla o setor de transporte de veículos novos impôs aos 378.983 consumidores da marca Fiat/Jeep (fábricas em Minas Gerais e Pernambuco) um prejuízo estimado em R$ 233 milhões ao longo de 2017. O montante é atribuído à ausência de concorrência, o que eleva os preços em 25%, segundo cálculos do Ministério Público Federal (MPF) apresentados no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O MPF também apontou que o custo do frete dos veículos zero-quilômetros, embutido no preço final, é de 4% sobre o valor cobrado dos consumidores.

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Somente com a comercialização da Fiat/Jeep, constante no relatório da Fenabrave, de veículos considerados automóveis e comerciais leves, os consumidores pagaram um custo a maior de R$ 19,4 milhões por mês, ou R$ 746,9 mil a cada dia. Os valores equivalem a 602 automóveis modelo Mobi, o de menor custo, por mês, e 23 veículos iguais a cada 24 horas. No total do ano, os compradores de modelos da Fiat/Jeep pagaram a mais o equivalente a 7.229 Mobis.

Excluídos os veículos da Jeep emplacados ao longo de 2017, os consumidores dos produtos Fiat fabricados em Betim-MG foram lesados pelo cartel em R$ 148,6 milhões. A cada mês, por não haver concorrência para o escoamento da produção, quem adquiriu veículos da marca acabou pagando R$ 12,3 milhões a mais por mês. A cada dia, o prejuízo chegou a R$ 476,4 mil. A conta foi paga por 290.798 compradores. No caso da Fiat de MG, o montante do ano pago a mais equivale a 4.611 veículos Mobi na versão mais barata. No mês, o acréscimo alcança o equivalente a 384 Mobis. Quatorze, a cada dia.

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Na Fiat de MG, o transporte é realizado pela Sada Transportes e Armazenagens, transportadora integrante da Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), entidade extinta pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por participação do sistema cartelizante em operação na General Motors e na maioria expressiva da indústria automobilística brasileira.

Associação criminosa
A empresa é de propriedade de Vittorio Medioli, atual prefeito de Betim, acusado pela Polícia Federal de ser o chefe da associação criminosa que controla o setor. Medioli também responde a outra ação penal, acusado do mesmo crime, movida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Os procedimentos estão em andamento no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ele também já foi condenado em primeira instância por crime contra o sistema financeiro, evasão de divisas.

Em Pernambuco, a Fiat/Jeep também entregou o transporte para a Sada. A Autoport tem participação mínima. No total, durante o ano passado, as transportadoras vinculadas ao sistema cartelizante abocanharam entre as duas plantas da montadora R$ 928,1 milhões, a título de frete, R$ 77,3 milhões por mês, ou R$ 2,9 milhões a cada dia útil.