STF rejeita queixa-crime da Sada por difamação contra deputado federal pernambucano que combate cartel

Em decisão monocrática proferida na semana passada, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a queixa-crime ajuizada pela Sada Transportes e Armazenagens contra o deputado federal Pastor Eurico. Rosa Weber já havia rejeitado ação semelhante impetrada por Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada. Usando a tribuna, o parlamentar chegou a comparar as ações de Medioli e do grupo Sada, em todo o país, mas especialmente em Pernambuco, a uma “JBS2”. Prefeito atual de Betim, MG, Medioli e Sada ingressaram com ações contra o deputado. Nenhuma delas prosperou.

“Imunidade material” foi a principal razão para a rejeição da ação de difamação. Segundo relato da ministra, as expressões empregadas pelo parlamentar na tribuna, alegadas pela Sada, informa uma possível ofensa objetiva da empresa. Pastor Eurico destacou no pronunciamento haver uma “verdadeira máfia atuando hoje no Brasil e lamentavelmente também em Pernambuco”.

E ressaltou:

“A Sada é uma das empresas citadas em investigação pela Polícia Federal. A Sada é um movimento que mais parece uma JBS2”.

O parlamentar também mencionou investigação da PF sobre a suspeita de venda de sindicato de cegonheiros por R$ 20 milhões, em Pernambuco.

Chefe da associação criminosa
Medioli é apontado em inquérito da Polícia Federal como o chefe da associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos. A tramitação está em curso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais por conta do foro especial a que o prefeito de Betim tem direito. Em outro procedimento oriundo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo-SP, Medioli também é um dos indiciados junto com o executivo da Tegma Gestão Logística, Gennaro Oddone. Sada, Tegma e outras empresas menores ligadas ao cartel controlam mais de 95% do bilionário mercado de transporte de veículos novos em todo o país. Medioli já foi condenado pela Justiça Federal de Minas Gerais por evasão de dividas. Recurso está no TRF1 há três anos completados hoje, sem decisão.

Reduzindo o tom das críticas
Mesmo depois de ver as queixas-crimes contra si rejeitadas pelo STF, o deputado federal pernambucano continuou as críticas ao “sistema cartelista que atua em todo o pais”, mas reduziu o tom. Falou brandamente sobre a Sada, acrescentando que continua na defesa dos cegonheiros pernambucanos, acampados às margens da BR-101, nas proximidades da Fiat/Jeep, há mais de nove meses. Eles aguardam até hoje uma resposta do governador Paulo Câmara, que prometeu em 12 de março deste ano resolver a questão dos cegonheiros pernambucanos em 10 dias. São os 10 dias mais longos da história. O deputado lembrou em seu discurso:

“A Sada está comprando páginas e páginas de jornais de Pernambuco para defender o indefensável. Nunca vi isso.”