Com R$ 21,6 milhões de ágio nos fretes, Fiat/FCA assume a liderança no ranking de prejuízos causados aos consumidores pelo cartel dos cegonheiros

A aliança da Fiat/FCA com o chamado cartel dos cegonheiros, uma associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos no país, levou as duas fábricas (de Minas Gerais e da Jeep em Pernambuco) a assumir a liderança no prejuízo imposto aos consumidores. Somente nos emplacamentos de maio, divulgados pela Fenabrave, os 35.791 compradores de veículos e comerciais leves das marcas italiana e norte-americana pagaram R$ 21,6 milhões a mais pela falta de concorrência no setor. Junto com a General Motors, a Volkswagen, a Ford e a Renault, constata-se que 126.503 consumidores foram lesados em R$ 73,4 milhões, o equivalente a R$ 2,8 milhões por dia. O valor total de maio corresponde a 1.835 carros populares de R$ 40 mil.

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Dos 194.922 consumidores que adquiriram veículos novos no mês de maio, 126,5 mil são das cinco montadoras que tiveram os números analisados pelo site Live Concorrência. Só nessas fábricas, a associação criminosa que impede o exercício da livre concorrência, inclusive por meio de locautes (greve de patrões), abocanhou R$ 293,6 milhões a título de frete. O valor é embutido no preço dos veículos, sendo integrante do chamado custo de produção, depois da instituição do frete CIF. Consumidores brasileiros têm esses números escondidos pela sistemática.

Prejuízo oculto
A equação que define o tamanho do prejuízo imposto aos consumidores que adquirem veículos zero-quilômetro no Brasil, por conta da falta de concorrência, foi apresentada pelo Ministério Público Federal na ação civil pública em que a General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior, o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam) e a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) foram condenados por formação de cartel no setor de transporte de veículos.

MPF e a Polícia Federal no Rio Grande do Sul são pioneiros no combate à associação criminosa que controla até hoje o segmento bilionário, com a conivência de 98% das fábricas instaladas no país. De acordo com o estudo feito pelo MPF, a falta de concorrência no setor, impõe um sobrepreço (ágio) de 25% sobre o valor do frete, avaliado pelo órgão ministerial em 4% do valor do veículo zero quilômetro.