Sindicato baiano subordinado ao Sinaceg tem registro suspenso devido à investigação da Polícia Federal

O Ministério do Trabalho suspendeu a emissão de certidão sindical de entidade subordinada ao Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg, ex-Sindicam). Os registros do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviários de Veículos e dos Transportadores Autônomos de Veículos do Estado da Bahia (Sintraveba) e de mais 187 associações terão de ser reanalisados por uma comissão de servidores da Secretaria de Relações do Trabalho. A medida, publicada no Diário Oficial da União, em 20 de junho, resulta das irregularidades encontradas pela Polícia Federal na Operação Registro Espúrio. Por mais de um ano, agentes da PF apuraram esquema de venda de documentos oficiais no Ministério do Trabalho.

Em 30 de maio, a Polícia Federal prendeu servidores públicos e vasculhou os gabinetes dos deputado Jovair Arantes (PTB-GO), Wilson Filho (PTB-PB) e Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Buscas também foram realizadas na casa do presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson – condenado no escândalo do mensalão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A deputada federal Cristiane Brasil, filha de Jefferson, foi alvo da ação policial na segunda fase da operação, deflagrada em 12 de junho. O ministro Edson Fachin (do STF) autorizou busca e apreensão de documentos no gabinete da parlamentar.

A venda de registros sindicais por até R$ 4 milhões foi denunciada pelo presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), Afonso Rodrigues de Carvalho. O cegonheiro e sindicalista reuniu provas e, por meio de ação controlada sob os cuidados da PF, revelou a cadeia de comando do esquema.

Fundador do Sinaceg diz ter criado sindicato baiano
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do Sinaceg Roberto Augusto Francisco revelou ter conhecimento das irregularidades. Ele também afirmou ter fundado, além do próprio Sinaceg, outros sindicatos regionais de cegonheiros em vários estados, inclusive na Bahia e no Rio Grande do Sul.

“Essa corrupção existe há muitos anos no Ministério do Trabalho. Normalmente é feito o pagamento (de propina) a assessores dos ministros, com intuito principal de financiar campanhas eleitorais.”

A declaração foi dada em setembro de 2013, em testemunho do ex-presidente a agentes do Serviço de Repressão a Desvios de Recursos Públicos, órgão da PF.

Outro caso que está sendo investigado é em Pernambuco, onde o deputado federal Pastor Eurico denunciou a comercialização de sindicato de cegonheiros por R$ 20 milhões. No mês passado, a Justiça do Trabalho determinou a nulidade do Sindicato dos Cegonheiros de Goiana (Sintrago), por fraude documental. A entidade é apoiada abertamente pela Sada Transportes e Armazenagens, de propriedade de Vittorio Medioli. A transportadora está encarregada do escoamento da quase totalidade dos veículos produzidos pela Jeep.

O Sinaceg autointitula-se sindicato nacional, apesar de a legislação limitar a atuação da entidade ao estado de São Paulo. O Sinaceg já foi condenado por formação de cartel no transporte de veículos novos. Investigações do Ministério Público Federal e Polícia Federal revelam que entidade é braço político das grandes transportadoras que operam no setor (Sada e Tegma).

 

Crédito da foto: Assessoria de Comunicação da PF