Vittorio Medioli é acusado de pagar R$ 10 milhões por sindicato de cegonheiros em Pernambuco

Proprietário do grupo Sada, Vittorio Medioli é apontado pela Polícia Federal de chefiar a associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos no Brasil. O inquérito, por conta do foro de prerrogativa de função do empresário que se elegeu prefeito de Betim (MG) em 2016, está tramitando no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em outro processo, também no TJMG, encaminhado pelo Ministério Público de São Paulo, Medioli é denunciado por formação de cartel, associação criminosa (mais uma vez), lavagem de dinheiro e falsos documentais e tributários.

Agora, com o avanço das investigações a partir da deflagração da Operação Registro Espúrio, Medioli enfrenta nova acusação: teria pagado R$ 10 milhões em propina para o registro do Sindicato dos Cegonheiros de Goiana-PE (Sintrago).

Em depoimento à Polícia Federal, o presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Pernambuco (Sintraveic), José Milton de Freitas, revelou que Vittorio Medioli seria o responsável pelo pagamento de R$ 10 milhões a servidores do Ministério do Trabalho e Emprego para conseguir a liberação da carta sindical do Sintrago. O uso de propina para criação de mais uma entidade sindical subordinada ao cartel dos cegonheiros foi informada a Freitas por Roberto Augusto, fundador e ex-presidente do sindicato dos cegonheiros de São Paulo (Sinaceg), que se autodenomina nacional. O Ministério Público Federal considera a essa entidade paulista como o braço político dos grupos Sada e Tegma. Ambos controlam mais de 95% do mercado bilionário de transporte de veículos novos no país. Em outro depoimento à Polícia Federal, Augusto revelou ter sido o fundador de vários sindicatos de cegonheiros espalhados pelo país. Também confirmou a existência do pagamento de propina a servidores do Ministério do Trabalho.

Operação Registro Espúrio
A notícia sobre possível desdobramentos da Operação Registro Espúrio ganhou corpo a partir da divulgação de extensa matéria produzida e levada ao ar pela Rede Record. A repercussão da reportagem fez com que a Sada emitisse nota sobre os episódios. Medioli, segundo a produção da TV, foi procurado, mas não se manifestou.

Freitas também indicou à Polícia Federal o possível envolvimento de Carlos Roesel, presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais (Sintrauto), no esquema. Segundo Freitas, ele foi procurado por Roesel, que se apresentou como assessor do deputado federal Nelson Marquezelli. O parlamentar do PTB foi alvo de busca e apreensão em seu gabinete na Câmara. Roesel ofereceu vagas em nome da Sada para que 12 cegonheiros pernambucanos participassem do escoamento da produção dos veículos produzidos pela Fiat/Jeep.

A proposta foi recusada pelo presidente do Sintraveic. O sindicalista justificou ser preciso “respeitar os associados”. Num dos cafés da Câmara dos Deputados, Roesel também afirmou ser o “dono do Sintrago”, entidade apoiada pela Sada em Pernambuco e desfeita pela Justiça do Trabalho por fraude em todas as etapas da criação.