Pela terceira vez em 2018, Justiça nega tentativa da Sada de proibir jornalista de exercer a profissão

A juíza Tatiana Elizabeth Michel Scalabrin Di Lorenzo, do 2º Juizado Especial Criminal do Foro Central de Porto Alegre, também negou pedido que pretendia proibir o jornalista Ivens Carús, editor e diretor de redação do site Livre Concorrência, de exercer a profissão. Desde o início do ano, essa foi a terceira vez que a Justiça se manifesta contrária às medidas cautelares requeridas por representantes do grupo Sada para tentar calar o site que denuncia violações aos princípios constitucionais da livre concorrência, sobretudo no setor de transportes de veículos novos.

Em 4 de julho, a titular 2º Juizado Especial Criminal do Foro Central de Porto Alegre rejeitou as medidas cautelares intentadas em ação movida pela Sada Transportes e Armazenagens. Em 16 de abril, A juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, da 5ª Vara Criminal do Foro de Porto Alegre, já havia negado o mesmo pedido, dessa vez requerido por Vittorio Medioli, dono do grupo Sada e prefeito de Betim (MG), e por Edson Pereira, diretor comercial da Sada Transportes e Armazenagens. Há três anos, Luiz Alberto de Castro Tito, vice-presidente do grupo Sada, ofereceu propina de R$ 1,5 milhão para corromper o mesmo jornalista a prestar falso testemunho à Justiça. Os documentos que comprovam a tentativa de corrupção foram todos encaminhados ao Ministério Público Federal pelo próprio editor.

Três anos depois da oferta recusada e encaminhada às autoridades, os executivos da Sada alegam à Justiça que o jornalista “de forma consciente e deliberada imputa falsamente aos querelantes fato definido como crime, ao afirmar que integram uma organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o País.”

Além de associação criminosa, o site Livre Concorrência reporta outros crimes praticados pelo chamado cartel dos cegonheiros, cujo chefe é Vittorio Medioli, conforme inquérito da Polícia Federal: formação de cartel, falsos documentais e tributários e lavagem de dinheiro. Por conta desses delitos, o dirigente da Sada responde a três processos penais no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

O que os executivos da Sada querem que a Justiça faça contra o jornalista gaúcho:
1 – Seja determinado que o jornalista compareça periodicamente em Juízo, no prazo e nas condições fixadas, para informar e justificar suas atividades.
2 – Seja o jornalista proibido de manter contato, por qualquer meio, com os funcionários do grupo Sada.
3 – Seja decretada a imediata suspensão da atividade de natureza econômica ou financeira exercida pelo jornalista, em razão de sua utilização para a reiterada prática de infrações penais.