Revista denuncia que principal testemunha da Operação Registro Espúrio sofre perseguição estatal

Mesmo depois de 26 prisões efetuadas pela Polícia Federal, a máfia investigada na Operação Registro Espúrio segue dando as cartas no Ministério do Trabalho e Emprego, onde dirigentes partidários, políticos e altos funcionários do órgão mantinham um esquema de venda ilegal de registros sindicais.

Em junho, logo depois de deflagrada umas das fases ostensivas da investigação, a Superintendência Regional do Trabalho de Goiás iniciou uma rigorosa auditoria em uma empresa com a qual Afonso Rodrigues mantém parceria há 22 anos, a Transportes Gabardo, que tem sede no Rio Grande do Sul e filial em Anápolis, Goiás. A edição desta semana da revista Veja trouxe mais detalhes da tentativa de funcionários públicos intimidar a principal testemunha do caso.

Sob o título “Perseguição Implacável”, o repórter Thiago Bronzatto escreveu:

“Só faltava esta: empresário que denunciou esquema de corrupção no Ministério do Trabalho é alvo de retaliações por parte do governo.”

Ele apurou os fatos que, à primeira vista, revelavam uma ocorrência casual. E concluiu:

“Não parece coincidência. Apenas dois dias separam a operação policial da chegada dos inspetores.”

A revista apresentou mais detalhes que reforçam a suspeita de retaliação estatal:

“O órgão responsável pela auditoria, subordinado ao Ministério do Trabalho, é comandado por Degmar Pereira, que foi indicado ao cargo pelo deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara dos Deputados. Na denúncia feita por Afonso Rodrigues, dois sobrinhos do parlamentar Jovair Arantes são citados como membros do esquema de corrupção e destinatários de propina. Ambos foram presos pela PF.”

Veja conta ainda que depois da denúncia, Afonso Rodrigues teve a vida devassada:

“Uma empresa de investigação foi contratada para vasculhar seus negócios. A varredura resultou em um dossiê.”

Sobre o arquivo elaborado para denegrir o empresário, Veja avaliou:

“A varredura resultou num dossiê, que passou a circular em Brasília. Veja teve acesso ao documento, que traz uma série de ilações sobre a motivação de Afonso Rodrigues.”

E concluiu:

“O dossiê é de uma inutilidade atroz. Uma das conclusões é que ele tem interesses políticos e admiração pelo deputado Jair Bolsonaro.”

A reportagem terminou assim, para desespero dos integrantes do esquema:

“O escândalo (no Ministério do Trabalho) tem potencial para render novas revelações. O ex-ministro Helton Yomura foi até a Procuradoria-Geral da República para dizer que está disposto a colaborar com as investigações. Ele é acusado de ter participação ativa no esquema de registros sindicais e foi classificado pela Polícia Federal como um “fantoche dos caciques” do PTB.”

Redes sociais
Por meio de redes sociais, o empresário Afonso Rodrigues, que também preside o Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), afirmou não ter qualquer receio a respeito das informações que possam conter no dossiê que circula na capital federal. Ele destaca que em momento algum denunciou políticos:

“Tive acesso apenas a dois lobistas que me pediram uma grande soma para liberar o registro sindical. Quem apontou os políticos foi a Polícia Federal, depois de 10 meses de investigação.”

Em 28 de junho, o portal Livre Concorrência questionou o Ministério do Trabalho e Emprego sobre a documentação exigida de empresa após operação deflagrada pela Polícia Federal. A solicitação foi encaminhada via assessoria de comunicação do órgão, mas o site não obteve qualquer retorno. A Transportes Gabardo preferiu não se manifestar a respeito do assunto.