Mesmo condenada, GM mantém cartel. Prejuízo aos consumidores já soma R$ 384,7 milhões nos últimos 18 meses

A condenação pela Justiça Federal por participação no cartel dos cegonheiros, ocorrida em março de 2016, foi incapaz de fazer com que a General Motors do Brasil alterasse o sistema de escoamento da produção em suas plantas. O transporte dos veículos produzidos continua na totalidade entregue às empresas que integravam a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), extinta por determinação judicial e também condenada por formação de cartel. A manutenção do chamado “status quo” levou os mais de 503 mil consumidores da marca a amargar um prejuízo que já chegou aos R$ 384,7 milhões no período computado entre janeiro de 2017 e junho de 2018.

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O valor é calculado pelo sobrepreço constatado pelo Ministério Público Federal, autor da ação que condenou a GMB na Ação Civil Pública que tramitou durante 14 anos. De acordo com o MPF, a falta de concorrência no setor faz com que os valores cobrados a título de frete sejam majorados em aproximadamente 25%. O custo é repassado integralmente para o consumidor final, que arca com o valor maior, sem ter conhecimento, uma vez que o frete está embutido no preço de venda dos veículos.

No documento em que a aritmética foi apontada, os procuradores da República também argumentam que o mesmo sistema acontece em todas as montadoras que utilizam as empresas integrantes do cartel.

Somente no ano passado, os consumidores da GMB pagaram R$ 257,2 milhões a mais pelos 393,7 mil automóveis e comerciais leves adquiridos, enquanto o custo total do frete pago aos transportadores foi de R$ 1,029 bilhão. Neste primeiro semestre, o valor do transporte dos 109,2 mil veículos emplacados no país superou a marca dos R$ 509,7 milhões. O ágio ficou em R$ 127,4 milhões. Em média, os compradores de veículos da General Motors do Brasil acabam pagando a mais R$ 21,3 milhões a cada 30 dias. Com este valor é possível comprar 532,5 automóveis ao preço de R$ 40 mil.