Cegonheiros agregados a empresas do cartel aparecem em lista para transporte internacional da Bonança

A Bonança Transportes, Logística, Importação e Exportação está se preparando para começar uma grande operação. A transportadora de São Caetano do Sul já listou na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 66 agregados para participar de transporte internacional de veículos novos. Todos os cegonheiros-empresários vinculados à empresa instalada na região do ABC paulista integram o cadastro do Transporte Rodoviário de Transporte de Cargas (Tric), mantido e atualizado pela ANTT. A relação traz nomes de prestadores de serviços já agregados às transportadoras Brazul, Transzero (ambas da Sada) e Tegma. Isso vem causando desconforto a executivos dos grupos que controlam o setor. Em outubro, o site Livre Concorrência revelou que dirigentes do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg, ex-Sindicam) e Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers) estavam designados para tratar com interessados em obter vagas na empresa. Os fretes começariam com veículos produzidos pela Volkswagen e, logo em seguida, GM.

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A intensa movimentação em torno da empresa que teria sido sanada financeiramente em meio a uma das maiores crises econômica que assolou o país chama a atenção, principalmente pelo número de cegonheiros-empresários habilitados para fazer transporte internacional. Em outubro do ano passado, a Bonança ocupou o noticiário pelas altas dívidas que detinha, superiores a R$ 2,2 milhões, e pela divulgação, via rede social, de anúncio sobre possíveis vendas de vagas para agregados a valores de R$ 250 mil.

Num áudio recebido pelo site Livre Concorrência, o presidente do Sintravers, Jefferson de Souza Casagrande, explica para um associado que dirigentes do Sinaceg (ex-Sindicam) e da Bonança estão à frente da expansão da empresa. Para o site, ele nega tudo.

“Eu não quero muito me meter nesse negócio. O Sindicam (Sinaceg) já se meteu. Já cresceram os olhos para lá, já cresceram os olhos para cá. E eu não estou querendo me meter muito. Já tive até um atrito por causa disso. Tá na mão do Sindicam e tá na mão da empresa. Tá na mão do Mexicano (Gilmar Donizete da Silva, diretor do Sinaceg) e tá na mão do Daniel (Wellington Daniel Vitamar) e tá na mão da empresa.”

Políticos também querem uma fatia
O atual prefeito de Gravataí, Marco Alba (PMDB), é um dos políticos carreteiros. Possui empresa associada ao Sintravers, entidade que denunciou a formação de cartel no setor de transporte de veículos novos no ano 2.000. A denúncia resultou na Ação Civil Pública que condenou a General Motors, Luiz Moan Yabiku Júnior, o Sinaceg (ex-Sindicam) e a ANTV, todos por formação de cartel. Como desdobramento, Luiz Moan, Aliberto Alves (presidente do Sinaceg na época) e Paulo Roberto Guedes, então presidente da ANTV, também foram condenados em ação penal.

A empresa de Marco Alba está registrada no endereço do escritório de advocacia do irmão, Claudio Alba que, segundo informações extraoficiais, também é carreteiro associado ao Sintravers. Da mesma forma, o colega de partido de Marco Alba, o deputado federal Jones Martins, possui caminhão agregado à Bonança. Casagrande negou-se a dar informações sobre essas empresas ao site Livre Concorrência. A empresa também preferiu silenciar.