O chefe e seus 40 rábulas

Qualquer semelhança é mera coincidência. Estou tomando por base o depoimento de Vittorio Medioli ao Ministério Público Federal de São Bernardo do Campo. Prestado antes de eleger-se, Medioli, proprietário do grupo Sada e atual prefeito de Betim (MG), afirma contar com 40 rábulas só com carteira assinada. Explico a expressão “rábula” para simbolizar a incompetência do grupo que age a favor do “chefe da associação criminosa” (segundo consta no inquérito 277/2010 da Polícia Federal), mas que ao longo dos últimos anos não tem conseguido lograr êxito em nenhuma das inúmeras tentativas de provar em juízo que este profissional publica “fake news”. Cinco delas, ainda em andamento.

Em três, uma do próprio Medioli, outra do diretor comercial da Sada, Edson Luiz Pereira, e uma terceira da própria Sada Transportes e Armazenagens, os rábulas dos “autores”  tiveram a ousadia de pedir ao Poder Judiciário que impedisse este jornalista de exercer a profissão. Naturalmente que os juízes responsáveis pelas ações penais privadas responderam com um sonoro NÃO!, depois de ouvirem o Ministério Público, que igualmente se pronunciou desfavoravelmente ao ataque voraz contra a liberdade de imprensa e de expressão.

No mencionado depoimento, prestado pelo sistema de videoconferência, o qual tenho uma cópia na íntegra, Medioli foi mais astuto ainda ao faltar com a verdade, para ser generoso no termo, ao se referir a Ivens Carús (eu) e ao site Anticartel (nome anterior do Livre Concorrência). Afirmou ter determinado investigação que teria concluído que o referido site estava registrado na Colômbia e no Peru, e operava na sede de numa transportadora do Rio Grande do Sul. Disse o empresário e político de Minas Gerais:

“Já foram condenados e estão pagando cestas básicas.”

Isto sim é fake news. Esse fato só é verdade na na mente do senhor Medioli. Não vou mencionar o nome da pessoa para a qual estou pagando cestas básicas. Deixo sua fértil, mas paupérrima mente, elevar o pensamento à sua progenitora.

A série de fake news que a equipe de rábulas a serviço do senhor Medioli e Sada denuncia e conhece muito bem não conseguiu ainda ser combatida junto às autoridades como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), instituições que estão a acusar Medioli, Sada e outras empresas e executivos de participação na associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos e formação de cartel. É ali que a equipe de rábulas precisa mostrar sua competência. Não em apedidos pagos em jornais de Pernambuco ou qualquer outro meio que não seja nos autos das ações e inquéritos.

O que dizem as autoridades sobre o senhor Medioli e a Sada
1 – Gaeco

“Com efeito, o modus operandi adotado pela quadrilha formada por Vittorio Medioli, Edson Luiz Pereira, Luiz Salvador Ferrari, Roberto Carlos Caboclo, Mário de Melo Galvão (todos subordinados a Medioli), Tito Lívio Barroso Filho, Gennaro Oddone, Mário Sérgio Moreira Franco, Fernando Luiz Schettino Moreira, Evando Luiz Coser e Orlando Machado Júnior consistiu na formação de um grupo de empresas, todas filiadas à ANTV, associação esta que, a despeito da sua pretensa “extinção”, não aceita novos sócios exatamente para manter o monopólio/cartel do mercado de transporte rodoviário de veículos novos sob o domínio destas empresas, em sintonia com os interesses dos filiados ao Sindican, na pessoa de seu Presidente Aliberto Alves.” 

E segue:

“Desse acordo entre empresas e entre sindicato, por meio da atuação convergente entre ANTV e Sindican, decorre um rígido controle sobre o mercado de transporte de veículos zero-quilômetro em âmbito nacional, inclusive sobre algumas montadoras, impedindo o acesso de novos transportadores ao serviço correspondente, acarretando, por conseguinte, considerável prejuízo para os consumidores finais dos automóveis.”

Tribunal de Justiça de Minas Gerais
No inquérito da Polícia Federal, em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, sob o número 0367460-98.2017.8.13.0000, o desembargador Adilson Lamounier escreveu num dos despachos, ao encaminhar a peça acusatória à Polícia Civil:

“Para o cumprimento das seguintes diligências: a) seja promovida a oitiva dos indiciados Claudemir Soares de oliveira (v. Tramontina), João Danilo Gomes Martins (v. João Serrano) e Tiago Gomes Martins (v. Tiago Serrano), a fim de que respondam aos mesmos quesitos formulados aos indiciados Lucianao Gomes Batista (v. Goiano) e Jonas Lopes da Silva, ouvidos às f. 511/512 e 515/516, respectivamente; b) seja juntada aos autos a certidão de óbito do indiciado Gilberto dos Santos Portugal; c) sejam juntados os elementos de prova produzidos acerca dos incêndios havidos entre setembro/2009 e setembro/2010 (nos estados de PE, BA, GO e SC), caso tenham ocorrido, com a juntada aos autos dos respectivos laudos técnicos e boletins de ocorrência, excetuados, obviamente, os documentos já constantes de fls. 163/166 e 191-verso/193 do apenso 03 (produção antecipada de provas); d) sejam juntados, ainda, indícios em questão, bem como do Prefeito Municipal de Betim; e) finalmente, a oitiva, também, do Sr. Vittorio Medioli, apontado no relatório da Autoridade Policial (f. 632/651) como suspeito de chefiar a quadrilha investigada. 06 volumes – malote 3020485253.”

Na 6ª Câmara do Tribunal de Justiça mineiro, o inquérito 0460513-36.2017.8.13.0000, é oriundo do Gaeco de São Bernardo do Campo, São Paulo. Foi encaminhado ao TJMG por conta da prerrogativa de foro conquistada por Medioli ao eleger-se prefeito de Betim. Na peça, o proprietário do grupo Sada e executivos da Tegma Gestão Logística são apontados como integrantes de uma “quadrilha” e de “formação de cartel”.  A denúncia também é contra o diretor comercial da Sada Transportes e Armazenagens, Edson Luiz Pereira. A relatora é a desembargadora Denise Pinho da Costa Val.

Por fim, cabe ressaltar que o site Livre Concorrência não irá polemizar com o grupo Sada por meio de “apedidos”. Entendemos que na publicação que fizemos esclarecemos à sociedade pernambucana que praticamos jornalismo investigativo de qualidade, com respeito à opinião pública. Não criamos fatos. Os relatamos com opinião, independência, veracidade  e profissionalismo não se curvam a propostas indecorosas, semelhante a que contou com a participação de executivos da Sada, Tegma e Brazul. E o Poder Judiciário de vários estados e em todas as instâncias, tem nos assegurado o sagrado direito de informar.  Ao mesmo tempo, naquela oportunidade, apontamos aos cidadãos pernambucanos, algumas características do caráter do senhor Vittorio Medioli.

Ivens CarúsEditor