Sintravers emite nota sobre suposta venda de vagas para transportar veículos novos da GM

A decisão da Júlio Simões Logística (JSL) de repassar cargas da General Motors a outra transportadora paulista gerou discórdia entre os associados do Sindicato dos Cegonheiros do Rio Grande do Sul (Sintravers). A crise entre os filiados tornou-se mais aguda depois da divulgação em redes sociais de áudios que revelam possível venda de vagas por R$ 50 mil a um seleto grupo de cegonheiros-empresários interessados em transportar veículos novos da montadora norte-americana. Nas gravações, o presidente do Sintravers, Jefferson de Souza Casagrande (foto de abertura), aparece como articulador da Bonança Transportes Logística Importação e Exportação. A empresa de São Caetano do Sul (SP), conforme os áudios, estaria ofertando as vagas. Executivo da Bonança nega a prática. Associados do Sintravers queixam-se de terem sido excluídos do negócio.

Na quinta-feira (6), o site Livre Concorrência tomou conhecimento de nota emitida pelo Sintravers. O texto foi divulgado dois dias depois de os proprietários de frotas na JSL se reunir para discutir o assunto, nas dependência da transportadora. A nota, apesar de assumida pela diretoria da entidade, expõe trechos escritos em primeira pessoa. Em um desse trechos, o presidente do sindicato gaúcho lamenta não ter sido convidado para a reunião. Ele defendeu-se:

“Destaco que durante os 18 anos de luta em favor da categoria e de todos que dela fazem parte enfrentei inúmeras vezes, sem desconfiar, muitos lobos em pele de cordeiro, os quais descaradamente barganhavam em nome dos senhores em benefício próprio.”

Bolinha admite ter cometido erros e deslizes, mas destaca que nunca levou vantagem. Também tornou público o uso de chantagem por parte de alguns integrantes da categoria:

“Com toda a sinceridade que me cabe, lhes asseguro que esta situação foi por mim vivida inúmeras vezes e assumo a culpa também de ter cedido a imposições, ainda que contrariado. Tenho conhecimento que eticamente até foi errado. Assim, chamávamos supostamente os formadores de opinião para conversar e explicar o que se passava. Ocorre que isso não era de graça e menos ainda para contribuir com o sindicato e tampouco com os que o integram. Ao contrário, era sempre seguida de alguma chantagem. Assumo tais erros, mas asseguro a todos de forma reiterada que nunca houve a intenção de tirar alguma vantagem ou até mesmo de me locupletar.”

O líder sindical colocou-se à disposição dos filiados para prestar esclarecimento. Nas entrelinhas, é atribuído o conflito à disputa pelo comando da entidade. Escreve que a suposta venda de vagas não passa de falácia e atribui uma série de adjetivos a quem seria o autor das críticas.

O mandato da atual diretoria termina em 2020.

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