Volkswagen quer esconder pacto com cartel que causa prejuízos de R$ 150 milhões por ano aos consumidores

A Volkswagen do Brasil respondeu, na semana passada, o questionário encaminhado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O documento integra o Inquérito Administrativo que apura violações da ordem econômica em 16 montadoras de veículos instaladas em todo o país. A montadora alemã vetou o acesso publico às informações solicitadas pelo órgão antitruste. Todas aparecem como “confidencial”.

A Volks demonstrou que não quer que a sociedade tome conhecimento do pacto firmado com a associação criminosa (segundo a Polícia Federal) que controla o setor de transporte de veículo zero-quilômetro. A cada ano, por conta do sobrepreço cobrado pelas transportadoras integrantes do esquema, os consumidores da marca arcam com  um prejuízo superior a R$ 150 milhões.

Em dezembro do ano passado, a Volkswagen ingressou com ação judicial contra o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg, ex-Sindicam) e as transportadoras Transauto, Transportes Especializados de Automóveis, Tegma, Gestão Logística, Brazul, Transporte de Veículos, Transzero Transportadora de Veículos e Dacunha – as três últimas de propriedade do grupo Sada. O motivo foi a deflagração de greve de cegonheiros-empresários (locaute) que durou 15 dias e impediu o escoamento da produção da fábrica.

Locaute bloqueou fábrica da Volkswagen por 15 dias
Naquele período, estava em andamento processo de cotação de preço para o transporte de veículos, denominado BID. A greve foi usada pelos transportadores atuais para impedir o ingresso de novos agentes no mercado. Eles protestaram porque a empresa havia anunciado a intenção de contratar outros transportadores não vinculados ao sistema ANTV/Sinaceg (esquema condenado pela Justiça Federal em ação movida contra a General Motors). A montadora denunciou que os atuais transportadores estavam impedindo a montadora de buscar melhores condições técnicas e preços mais baixos para o transporte dos seus veículos.

No mesmo dia em que a justiça de São Bernardo do Campo (São Paulo) determinou, por meio da concessão de medida liminar, o desbloqueio do acesso à fábrica, a Volkswagen anunciou acordo com os mesmos transportadores que denunciou em juízo. Pela segunda vez consecutiva, em dois anos, a montadora alemã aplicou o que se chama de “golpe branco no mercado”, enganando todos os agentes econômicos que, convidados pela própria montadora, buscavam uma oportunidade de prestar serviços no setor de transporte de veículos novos.

O caso foi para no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Uma denúncia contra o presidente da montadora, o argentino Pablo Di Si, por alinhamento à associação criminosa, foi protocolada no órgão especial do Ministério Público de São Bernardo do Campo. O órgão ministerial não informa a respeito do andamento da denúncia.