Cade está para descobrir que cartel dos cegonheiros atua em 14 das 16 montadoras instaladas no Brasil

Os grupos Sada e Tegma controlam com mãos de ferro o transporte de veículos novos de 14 das 16 montadoras instaladas no país. Essa realidade está sendo apurada em inquérito aberto em 2016 pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O objetivo é investigar práticas de crimes contra a economia popular e a ordem econômica. No final de agosto, o órgão antitruste encaminhou às 16 marcas um questionário para saber quais transportadoras atendem à indústria automobilística e quais procedimentos competitivos foram usados para contratá-las. O setor é dominado pelo cartel dos cegonheiros, formado por empresas e sindicatos que violam os princípios constitucionais da livre concorrência.

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Assim que as montadoras encaminharem a documentação exigida, os técnicos e conselheiros do Cade irão confirmar a hegemonia das empresas ligadas ao cartel. A Sada Transportes e Armazenagens, cujo dono é Vittorio Medioli, está presente em 12 das 16 marcas que fabricam automóveis no país. A Tegma Gestão Logística presta serviços para 11 marcas. O último prazo para responder o questionário expirou em 28 de setembro. Cinco fábricas ainda não responderam.

Em resposta aos ofícios encaminhados pelo Cade, Jaguar/Land Rover e HEP-Mitsubishi foram as primeiras a apresentar dados completos sobre valores pagos a título de frete. Também anexaram cópia dos contratos firmados com as transportadoras, os respectivos aditivos e o resultado de cotações de preços realizadas, contendo quais empresas apresentaram propostas e quais venceram o processo.

Representantes do cartel, no entanto, não aprovaram a transparência. Em 12 de setembro, a Brazul Transporte de Veículos (uma das representadas), controlada pela Sada, de propriedade de Vittorio Medioli, solicitou que o Cade decretasse sigilo das informações.

A reportagem do site Livre Concorrência fez contato com os advogados da Jaguar/Land Rover e da Mitsubishi, mas nenhum quis se manifestar sobre a decisão do Cade decretar sigilo das informações.

Prazo encerrado
Até a tarde da última sexta-feira, cinco montadoras não haviam cumprido com o prazo de entrega dos dados, mesmo com a concordância do Cade em conceder tempo maior. Na mesma sexta-feira, o prazo venceria para outras três. A Caoa encaminhou a resposta ao questionário, quatro dias antes do estabelecido.

O cartel dos cegonheiros só existe porque as montadoras de automóveis se sujeitam às imposições das poucas transportadoras que controlam o setor. Ainda não se sabe com certeza o motivo pelo qual a indústria automobilística prefere punir os consumidores a enfrentar os grupos econômicos que praticam superfaturamento do preço dos fretes.