Tropa de choque do cartel dos cegonheiros viaja do Espírito Santo para comandar locaute em São Paulo

Cegonheiros-empresários agregados às transportadoras Brazul e Tegma, oriundos do Espírito Santo, lideram o locaute (greve ilegal de patrões) que está obstruindo o acesso à fábrica da Caoa-Chery, em Jacareí, interior de São Paulo. A mobilização ilegal, iniciada na segunda-feira (8), tenta impedir a livre concorrência no setor de transporte de veículos novos. Cegonheiros-empresários não querem que a montadora, recentemente sob o controle acionário da Caoa, entregue o escoamento da produção a uma transportadora gaúcha. A Transportes Gabardo venceu a concorrência aberta pela Caoa Chery. O processo também é chamado de BID (cotação de preços).

Perfil dos manifestantes
A liderança do movimento contra a livre concorrência é exercida por cegonheiros-empresários do Espírito Santo porque o Sinaceg, condenado por formação de cartel, está impedido de orquestrar movimento nesse sentido. Mauro Marcelino Simeão, conhecido como Maurinho, preso pela Polícia Rodoviária Federal em dezembro de 2010 por corrupção ativa, está chefiando o locaute. Há 18 anos, ele ofereceu R$ 10 a policiais rodoviários federais de Guaraí, no Tocantins, para ser liberado da fiscalização. Em 2012, foi novamente preso em Anápolis, Goiás, por participação em greve ilegal.

Maurinho foi vice-presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo, na mesma época em que o presidente, Ivan Demachi Tavela, foi assassinado na sede da entidade. O fato ocorreu em novembro de 2011. Apesar de a Polícia Civil ter elaborado retrato falado dos assassinos, até hoje ninguém foi preso.

Ameaça velada
Na terça-feira, motoristas da nova transportadora contratada pela Caoa-Chery registraram boletim de ocorrência policial. Relatam que Mauro Simeão teria afirmado em tom ameaçador que “vamos nos encontrar nas estradas”. A afirmação foi encarada como ameaça, uma vez que dezenas de caminhões-cegonha foram incendiados criminosamente num passado recente.

Em Jacareí, Maurinho conta com o apoio do parceiro Waldelio de Carvalho Santos, atual presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo. Waldelio foi indiciado em inquérito que tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A ação penal ajuizada em São Paulo, foi enviada à Justiça mineira por causa da prerrogativa de foro do atual prefeito de Betim, Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada. O político e empresário também foi indiciado no mesmo inquérito. Ambos são investigados por participarem da organização criminosa que controla o setor.

Na foto: com camisa branca, Waldelio. De camisa azul marinho, Maurinho, em atividade sindical no Espírito Santo