Sindicalistas de Jacareí criticam o site com argumentos usados por líderes do cartel dos cegonheiros

Na segunda-feira (15), o site Livre Concorrência publicou matéria sobre o ataque incendiário a caminhões estacionados no pátio da empresa Transportes Gabardo, ocorrido no município de Porto Real (RJ). No mesmo dia, o Sindicato dos Transportadores de Veículos Automotores de Jacareí divulgou nota repudiando o conteúdo da reportagem. Em tom de indignação, os sindicalistas do interior de São Paulo repetiram o discurso do cartel dos cegonheiros contra este o site. Em vermelho, reproduziremos o que eles escreveram. Em azul, nosso contraponto baseado em fatos. Vamos lá!

O sindicato de Jacareí acusa o site de “ser um meio de comunicação da empresa Gabardo e seus associados”.
Este é um surrado argumento das empresas e sindicatos vinculados ao cartel dos cegonheiros. O site Livre Concorrência representa a sociedade lesada em cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. O prejuízo bilionário repassado pelas montadoras aos consumidores refere-se ao preço superfaturado cobrado pelo cartel, que controla 95,5% do mercado de transporte de veículos novos, segundo apurou o Ministério Público Federal. Cartel, diga-se, liderado pelos grupos econômicos Sada e Tegma, tendo como braço político, o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg)

Os sindicalistas reclamam a atenção das autoridades sobre o tempo que a reportagem levou para apurar e noticiar o ataque incendiário.
“Segundo o site o incêndio teria ocorrido na madrugada de domingo (03:52) e a matéria foi veiculada em pouco mais de 04 horas (07:57).”
A divulgação dos fatos criminosos promovidos por bandidos travestidos de cegonheiros ocorreu tão logo o site recebeu denúncias do ocorrido. As primeira informações chegaram à redação por volta das 7h. Feita a apuração, publicamos o primeiro texto antes das 8h. As câmeras de monitoramento eletrônico da Gabardo registraram a ação criminosa às 3h52. As imagens só não foram divulgadas para não atrapalhar a investigação da Polícia Civil carioca.

Os sindicalistas ligados ao cartel dos cegonheiros questionam o uso do termo “ação criminosa” na matéria. “Não há referência ou notícia da lavratura de Boletim de Ocorrência ou de qualquer procedimento de investigação, e mesmo assim o site afirma categoricamente se tratar de ação criminosa, quando na verdade não há qualquer imagem de que ações de quaisquer pessoas.”
A queima de caminhões ocorrida no Rio de janeiro compara-se aos crimes investigados pela Polícia Federal no inquérito 277/2010. A apuração revela com riqueza de detalhes quem são os indiciados por incêndios criminosos. Está baseado na delação de um bandido travestido de cegonheiro, que, além de fornecer nomes e endereços de outros comparsas que ateiam fogo em caminhões-cegonha, ainda montou um protótipo do coquetel molotov utilizado para destruir os alvos – invarialvelmente caminhões-cegonha de empresas que concorrem com os grupos Sada e Tegma. Na peça, a Polícia Federal aponta Vittorio Medioli como chefe da quadrilha investigada. A propósito, a foto de abertura registra o incêndio criminoso praticado contra uma empresa do Espírito Santo. A Transilva teve nove caminhões queimados por disputar e vencer cargas antes transportadas pelo cartel dos cegonheiros. O inquérito citado acima investigou e identificou os responsáveis.

Diligências despachadas pelo desembargador Adilson Lamounier (TJMG):
Para que não pairem dúvidas, publicamos o despacho do desembargador Adilson Lamounier, do TJMG, no inquérito que tramita no Tribunal mineiro:

Em 18/7/2017
“À Delegacia Especializada em Investigações de Falsificações de Sonegação Fiscal e Crime Contra Administração Pública, para o cumprimento das seguintes diligências:

a) seja promovida a oitiva dos indiciados Claudemir Soares de oliveira (v. Tramontina), João Danilo Gomes Martins (v. João Serrano) e Tiago Gomes Martins (v. Tiago Serrano), a fim de que respondam aos mesmos quesitos formulados aos indiciados Luciano Gomes Batista (v. Goiano) e Jonas Lopes da Silva, ouvidos às f. 511/512 e 515/516, respectivamente;

b) seja juntada aos autos a certidão de óbito do indiciado Gilberto dos Santos Portugal;

c) sejam juntados os elementos de prova produzidos acerca dos incêndios havidos entre setembro/2009 e setembro/2010 (nos estados de PE, BA, GO e SC), caso tenham ocorrido, com a juntada aos autos dos respectivos laudos técnicos e boletins de ocorrência, excetuados, obviamente, os documentos já constantes de fls. 163/166 e 191-verso/193 do apenso 03 (produção antecipada de provas);

d) sejam juntados, ainda, indícios em questão, bem como do Prefeito Municipal de Betim;

e) finalmente, a oitiva, também, do Sr. Vittorio Medioli, apontado no relatório da Autoridade Policial (f. 632/651) como suspeito de chefiar a quadrilha investigada. 06 volumes – malote 3020485253.”

Eles também argumentam: “Os veículos queimados identificados na foto são do tipo “chassi”, completamente diferentes dos equipamentos utilizados na composição de cegonhas dedicadas ao transporte de veículos, do tipo “cavalo”, não sendo adequados ao atendimento da montadora CAOA/Chery.”
Não entendemos a observação. Caminhões do tipo chassi podem ser incendiados criminosamente pelos bandidos travestidos de cegonheiros a serviço da associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos? Eles caíram do céu? Não têm custo algum? E se uma ou mais vidas humanas fossem perdidas? É com essa desculpa esfarrapada, na qual a argumentação está ausente, que se pretende defender os bandidos travestidos de cegonheiros?

Os sindicalistas de Jacareí revelam: “Os veículos queimados saíram da VW com destino à rede de concessionários e exportação. Estavam no local aguardando o embarque para viagem.”
A afirmação comprova que os sindicalistas de Jacareí têm excelentes informações a respeito do que foi queimado criminosamente.

E mais: “As imagens do circuito interno de televisão mostrariam as ações dos criminosos, porém (a matéria) divulga apenas uma imagem escura dos veículos em chamas, aparentemente produzida por celular. Imagens lançados nas redes sociais por volta das 10h aludem ao corte da fiação das câmeras de filmagem.”
O site Livre Concorrência não divulga vídeos, fotos e/ou informações que possam atrapalhar a investigação dos órgãos de Estado. No Boletim de Ocorrência consta o corte de cerca e danos em câmera de segurança, afirmado pela empresa.

Os sindicalistas a serviço do cartel dos cegonheiros ainda criticam a edição do texto: “A menção logo após a notícia de eventual manifestação por parte de Cegonheiros em outro Estado da Federação dá a indevida, ilegal e falsa suposta correlação do ocorrido com a participação de Cegonheiros, o que não se pode admitir em qualquer hipótese, eis que pautadas em acusação leviana e difamatória por parte do aludido site, sem qualquer fundamentação.”
O texto do site Livre Concorrência expôs o modus operandi da associação criminosa empregado durante a greve da Volkswagen, em dezembro do ano passado. A descrição é da própria montadora, em petição protocolada no Foro da Comarca de São Bernardo do Campo (SP):
Processo: 1031577-43.2017.8.26.0564
“Os cegonheiros, sob a organização dos sindicatos corréus, bloquearam ilegalmente as vias de acesso à fábrica da autora (Volkswagen). A intenção dos envolvidos no movimento é clara: bloquear o acesso de terceiros à fábrica e impedir o escoamento de veículos novos da Volkswagen, inclusive a paralisação de suas linhas de produção. Impedem que carreteiros contratados emergencialmente transportem os veículos.”
Indevida e falsa correlação ou modus operandi idêntico?

Eles não se cansam de repetir os argumentos do cartel dos cegonheiros: “As acusações proferidas pelo site Livre Concorrência são graves, e de forma irresponsável promovem a instabilidade e a insegurança no mercado e tendem a vitimizar a empresa Gabardo, já desmascaradas repetidamente em episódios anteriores.”
Quem promove instabilidade e insegurança são os criminosos que incendeiam e depredam veículos nas estradas e nas saídas das montadoras. 

Mais discurso da máfia: Os prejuízos causados pela desinformação são ainda maiores, com graves e irresponsáveis acusações contra toda uma categoria de cegonheiros, já deturpada perante a população pela proliferação de inverdades, intrigas e falsidades distribuídas unicamente pelo site Livre Concorrência.”
Jamais o site Livre Concorrência atribuiu os crimes cometidos por bandidos travestidos de cegonheiros a toda a categoria. Trata-se de uma minoria que tem a pretensão de ser dona do mercado. E tenta manter essa situação a qualquer preço, inclusive colocando vidas humanas em alto risco, como praticar incêndios criminosos, jogar miguelitos e pedras em veículos transportados por concorrentes. Atos de selvageria que devem ser combatidos com todo o rigor.

“O site Livre Concorrência responde a 26 processos por falsidades.”
O site Livre Concorrência jamais publicou uma notícia inverídica. No total, já são 26 medidas judiciais intentadas pelos “chefes” dessa associação criminosa. No entanto, em nenhuma dessas ações os “chefes” conseguiram convencer o Poder Judiciário Brasileiro de que uma única notícia publicada foi inverídica. As ações foram ajuizadas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Será que a Justiça de todos esses Estados está apoiando e incentivando a veiculação de notícias inverídicas?

“A propósito, a foto de abertura registra o incêndio criminoso praticado contra uma empresa do Espírito Santo. A Transilva teve nove caminhões queimados por disputar cargas com o cartel dos cegonheiros. O inquérito acima também investigou o fato e indiciou bandidos travestidos de cegonheiros”.

Ao advogado dos sindicalistas, o editor do site Livre Concorrência informou:

O senhor deixou de esclarecer aos associados do seu sindicato que nas ações movidas contra este jornalista, a Tegma Gestão Logística, Gennaro Oddone e Fernando Luiz Schettino Moreira foram condenados ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados pela Justiça em R$ 5 mil cada um. Antes, os três recorreram ao Tribunal de Justiça do RS, ao STJ e ao STF, sem lograr êxito.

O site Livre Concorrência esclarece ainda, doutor, que há cinco ações em andamento. Todas movidas pelo “chefe” da associação criminosa, suas empresas e seu diretor comercial, Edson Pereira, também denunciado pelo Gaeco por formação de cartel e de quadrilha. Uma delas, ajuizada em Betim-MG, cidade administrada por Vittorio Medioli, teve parecer do Ministério Público pelo arquivamento.

Por fim, doutor, como editor do site Livre Concorrência, esclareço que os “chefes” dessa associação criminosa ofereceram-me R$ 1,5 milhão, em dinheiro sujo, a ser entregue em uma mala, para que eu concedesse um depoimento fraudulento a um juiz, a título de antecipação de provas. Queriam que eu afirmasse que estava a serviço dessa empresa que o senhor cita como o site sendo canal de comunicação próprio. Tudo, doutor, documentado antecipadamente. Será que os associados do seu sindicato sabem de tudo isso, doutor? Ou lhes é passado só o que interessa à associação criminosa, a exemplo do que está sendo levado à Câmara de Vereadores de Jacareí?

Ivens Carús – Editor