Ministro da Segurança Pública afirma que Polícia Federal vai investigar ataques incendiários a caminhões-cegonha

A investigação dos incêndios criminosos praticados contra caminhões-cegonha será federalizada. A garantia foi dada na tarde desta quinta-feira (18) pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, ao presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), Afonso Rodrigues de Carvalho. Em audiência no Ministério da Segurança Pública, o titular da pasta criada pelo presidente Michel Temer se comprometeu a transferir à Polícia Federal os inquéritos que apuram a autoria dos ataques perpetrados por criminosos a serviço do cartel dos cegonheiros. O encontro durou uma hora.

Carvalho contou ao ministro que em quatro dias a empresa Transportes Gabardo foi atacada quatro vezes. A ação criminosa resultou na queima de 14 caminhões, dos quais seis estavam carregados com veículos novos. O primeiro incêndio criminoso ocorreu na madrugada de segunda-feira, em Porto Real, no Rio de Janeiro. Na ocasião foram destruídos pelas chamas oito caminhões. Os veículos estavam estacionados no pátio da filial da transportadora. Outros seis caminhões-cegonha foram atacados em postos de combustível em dois estados diferentes: São Paulo (dois) e Minas Gerais (quatro).

O sindicalista revelou ainda que os crimes estão relacionados à decisão da Chery/Caoa, instalada em Jacareí (SP), de romper com grupos econômicos vinculados ao cartel dos cegonheiros. Recentemente a montadora abriu concorrência para selecionar novos prestadores de serviço para escoar a produção até a rede de concessionárias. As empresas do cartel (Brazul Transporte de Veículos e Tegma Gestão Logística) perderam o direito de transportar os veículos da marca. Com a melhor proposta (valor dos fretes inferior ao praticado pelo cartel e condições técnicas superiores) a Transporte Gabardo venceu o processo.

Início das represálias
Na segunda-feira (8), quando a Gabardo começaria a escoar os veículos da Chery, a montadora amanheceu bloqueada por empresários e sindicalistas subordinados ao cartel. A Justiça determinou a desobstrução dos acessos à fábrica. Com o fim do bloqueio, os manifestantes  passaram a atirar miguelitos nos veículos transportados. Logo em seguida se iniciaram os incêndios

Em inquérito que já investigou outros incêndios criminosos contra empresas que concorrem com o cartel dos cegonheiros, a Polícia Federal identificou os criminosos. A apuração, concluída em 2010, também indiciou o político e empresário Vittorio Medioli, dono do grupo Sada, por ser suspeito de chefiar a organização criminosa responsável por esses crimes. Hoje o inquérito tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por conta do foro especial de Medioli. Ele elegeu-se prefeito de Betim (MG), em 2016.