Juiz criminal quer Vittorio Medioli em Porto Alegre e MP pede a extinção de queixa-crime contra jornalista

O juiz Márcio André Keppler Fraga, do Juizado Especial Criminal do Foro do 4º Distrito de Porto Alegre, foi claro:

“Pode ser que ele (Vittorio Medioli) não queira, mas terá de vir de Betim (MG) para Porto Alegre.”

A manifestação ocorreu nessa segunda-feira (5), em audiência de queixa-crime movida pelo político e empresário contra o jornalista Ivens Carús, editor do site Livre Concorrência. Na mesma sessão, diante da ausência dos querelantes (autores), a representante do Ministério Público manifestou-se pela extinção do feito. O magistrado citou o artigo 60, Inciso III do Código de Processo Penal para “julgar extinto o feito, por força de perempção, à exceção do querelante Vittorio Medioli”.

As quatro empresas de propriedade de Vittorio Medioli (Sada Transportes e Armazenagens, Transzero Transportadora de Veículos, Brazul Transporte de Veículos e Dacunha) foram excluídas da queixa-crime por determinação do magistrado. Fraga concedeu prazo de 24 horas para Medioli efetuar a juntada da documentação referida em audiência e na petição juntada aos autos.

A decisão ocorreu em função de que a advogada Luísa dos Passos Ferreira apresentou-se como contratada para o ato da audiência, sem apresentar procuração. Ainda estava presente, Jamile Girardi Costanaro, que se intitulou preposta, sem a documentação comprobatória.

Chefe de associação criminosa
Na queixa-crime, Medioli, apontado pela Polícia Federal como chefe da associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos, junto com quatro de suas empresas, pede a condenação do editor do site Livre Concorrência. Cita prática de delito de calúnia nos termos dos artigos 138 e 139 c/c 141 III, e artigo 69 do Código de Processo penal. Pede ainda a fixação de valor mínimo a título de indenização. Alegando ser “gestor empresarial e figura pública”, e a “sensibilidade das informações aqui contidas”. Medioli pediu que o processo “seja colocado em segredo de Justiça”, o que não foi atendido. (Foto: processos movidos contra o jornalista, em 2013, pela Tegma, Gestão Logística, Gennaro Oddone e Fernando Luiz Schettino Moreira (executivos da empresa). Depois de perdidos recursos ao TJRS, STJ e STF, as ações foram retiradas. Houve condenação ao pagamento de R$ 15 mil de honorários a título de sucumbência)