Volkswagen se envolve em mais um escândalo na Europa e EUA. No Brasil, segue vinculada à associação criminosa conhecida por cartel dos cegonheiros

Envolver-se com a associação criminosa que controla mais de 95% do transporte de veículos novos no Brasil parece ser o menor dos problemas da Volkswagen. Os escândalos se acumulam. Participação no cartel europeu das montadoras de caminhões foi o primeiro. Logo em seguida veio a fraude para encobrir a poluição de motores a diesel, conhecida por “dieselgate”. Mais tarde, a imprensa europeia revelou que a montadora alemã, com outras três empresas, financiaram experiências com humanos e macacos. As cobaias foram expostas à inalação de gases liberados pela combustão de motores a diesel em laboratórios da Alemanha e dos Estados Unidos. Por último, a VW vendeu a clientes veículos que deveriam ter sido destruídos.

Na semana passada, a imprensa alemã divulgou que a marca pode ter vendido a consumidores comuns 17 mil veículos de teste como se fossem carros usados. Segundo o jornal alemão Handelsblatt, a irregularidade seria do conhecimento do presidente-executivo do grupo Volkswagen, Herbert Diess, desde 2016.

Ao Handelsblatt, um porta-voz da Volkswagen confirmou a informação e teria dito:

“Foi um grande erro.”

As autoridades alemãs ainda não decidiram como lidar com o caso. Tampouco adiantaram se a montadora será processada e/ou multada. Os veículos vendidos irregularmente são produzidos para testar e mostrar os novos modelos antes da produção em série oficial. Essas unidades deveriam ter sido descartadas por não estarem oficialmente autorizados a rodar.

Vínculo com associação criminosa
Aqui no Brasil a Volkswagen associou-se à organização criminosa que controla o transporte de veículos novos por meios de empresas e sindicatos que impedem a livre concorrência no setor. Essa relação causou prejuízo de R$ 151 milhões aos consumidores da marca em 2017.

Há exatamente um ano, a Volkswagen ingressou com ação judicial contra o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg, ex-Sindicam) e as transportadoras Transauto, Transportes Especializados de Automóveis, Tegma, Gestão Logística, Brazul, Transporte de Veículos, Transzero Transportadora de Veículos e Dacunha – as três últimas de propriedade do grupo Sada. O motivo foi a greve de cegonheiros-empresários (locaute) que durou 15 dias e impediu o escoamento da produção da fábrica localizada em São Bernardo do Campo.

Naquele período, estava em andamento processo de cotação de preço para o transporte de veículos, denominado BID. A greve foi deflagrada para impedir o ingresso de novos agentes no mercado. Assim que a Justiça determinou o desbloqueio da fábrica, a montadora recuou e retirou a ação.

No processo, os advogados da VW denunciaram a ação do cartel dos cegonheiros:

“É evidente a sua atuação na paralisação, com o fito, mais uma vez, de pressionar a VWB a não realizar processo seletivo para contratar novos prestadores de serviços com melhores condições técnicas e financeiras.”

Oito réus (cinco empresas e três sindicatos) foram apontados na ação.

Empresas rés (todas integrantes da ANTV, entidade extinta pela Justiça Federal por formação de cartel)
Transauto Transportes Especializados de Automóveis
Tegma Gestão Logística
Brazul Transporte de Veículos (grupo Sada)
Transzero Transportadora de Veículos (grupo Sada)
Dacunha (grupo Sada)

Sindicatos réus
Sindicam (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo)
Sinaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros)
Sintetra (Sindicato dos Rodoviários do Grande ABC)

Das cinco transportadoras denunciadas pela Volkswagen, três são de propriedade de Vittorio Medioli. O político e empresário de Minas Gerais é considerado o chefe da associação criminosa que controla o setor, segundo inquérito da Polícia Federal.