Submissão de montadoras ao cartel dos cegonheiros impõe prejuízo de R$ 1,8 bilhão aos consumidores em 2018

O alinhamento de 17 das 20 montadoras instaladas no país às ações do cartel que controla com mãos de ferro o transporte de veículos novos levou os consumidores brasileiros a amargar um prejuízo de R$ 1,801 bilhão ao longo de 2018. Os dados sobre o volume de vendas do ano passado foram publicados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O cálculo feito pelo site Livre Concorrência para aquilatar a lesão aos compradores de veículos zero-quilômetros foi montado a partir de equação montada pelo Ministério Público Federal (MPF), autor da primeira ação contra o cartel. Nos autos o custo do frete representa 4% do valor do veículo. Sobre o resultado, é aplicado o percentual de 25% de sobrepreço por conta da falta de livre concorrência no setor, cobrado pelas transportadoras acusadas de formação de cartel, segundo o MPF. Em dois anos, prejuízo à economia popular excedeu a cifra de R$ 3,2 bilhões. Em 2017, perda chegou a R$ 1,4 bilhão. 

Vale ressaltar que o prejuízo de R$ 1,8 bilhão refere-se apenas ao ágio cobrado pelas transportadoras vinculadas ao cartel dos cegonheiros. Ao todo, essas empresas receberam das montadoras no ano passado mais de R$ 7 bilhões (veja tabela abaixo).

Observação: Os números da Hyundai-Brasil (fábrica de Piracicaba-SP) referem-se ao percentual do escoamento entregue a empresas acusadas de formação de cartel. Os fretes do restante da produção estão na matéria intitulada “Fraca ação do Estado fez livre concorrência avançar 0,3% ao ano sobre o domínio do cartel”.

Em comparação com os números de 2017, o prejuízo dos consumidores cresceu 24,01%, enquanto as vendas de automóveis e de comerciais leves subiram 13,74% no mesmo período. Um aquecimento de 10,27% no ágio embutido pelas montadoras no valor final do veículo e repassado integralmente aos consumidores. No ano passado, o ágio pago foi de R$ 1,4 bilhão. Neste ano, a cada mês, os compradores de veículos zero-quilômetros arcam com um prejuízo da ordem de R$ 150,1 milhões, ou R$ 5,004 milhões a cada período de 24 horas. Do total de R$ 7,5 bilhões movimentado pelo mercado em 2018, as transportadoras integrantes do cartel, que contam com o apoio do braço político da organização exercido pelo Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) abocanharam nada menos do que R$ 7,1 bilhões. O montante é equivalente a 93,19% do mercado de transporte de veículos via terrestre.

Grupo Fiat lidera os prejuízos ao consumidor
O grupo FCA Fiat/Jeep está mantendo a liderança no prejuízo causado aos seus compradores. Do total dos 432.603 veículos vendidos no ano passado, a montadora repassou ao cartel R$ 1,3 bilhão a título de frete e impôs um ágio de R$ 347,4 milhões aos compradores da marca Fiat/Jeep. O valor pago a mais pelos compradores corresponde a 8.854 veículos Mobi, com preço médio de R$ 39.244,00.

Em segundo lugar no ranking aparece a General Motors do Brasil, já condenada em 1ª instância na Justiça Federal por participação ativa no cartel dos cegonheiros. A montadora norte-americana repassou ao cartel, mais de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 301 milhões de ágio. No total, os consumidores brasileiros pagaram de ágio pela ausência da livre concorrência o equivalente a compra de 48.218 veículos Kwid, produzido pela Renault, o que possui o menor preço médio do mercado: R$ 37.363,33.