Medioli luta para manter foro privilegiado, mas desembargadores mineiros não aceitam

Indiciado pela Polícia Federal por “chefiar quadrilha” que atua no setor de transporte de veículos novos, o empresário e político Vittorio Medioli (foto de abertura) tenta, por meio de seus advogados, garantir a prerrogativa de foro privilegiado conquistada em 2017, após ter assumido o cargo de prefeito de Betim. O objetivo dele é manter em Minas Gerais os processos em que figura como réu ou como investigado. Em uma das ações, o proprietário do grupo Sada é acusado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo de formação de cartel e de quadrilha, ao lado de outros executivos de transportadoras. Por conta do foro, os procedimentos foram deslocados para o Tribunal de Justiça mineiro que, em dezembro, declinou da competência. Dois desembargadores acreditam que as acusações não guardam nexo entre a atividade empresarial de Medioli com ações no executivo municipal.

Terror nas estradas
Inconformada com a decisão da 5ª e 6ª Câmaras Criminais do TJ mineiro, a defesa do empresário apresentou embargos declaratórios das determinações. No inquérito da Polícia Federal, no qual Medioli foi indiciado por associação criminosa e crimes contra a paz pública, o desembargador Adilson Lamounier determinou a inclusão do julgamento na pauta programada para 5 de fevereiro. O relatório da PF é composto por seis volumes e apresenta uma análise acurada de dezenas de incêndios criminosos de caminhões-cegonha. Os incêndios serviam para punir e aterrorizar empresas que ousassem disputar cargas com a organização criminosa conhecida por cartel dos cegonheiros.

A desembargadora Denise Pinho da Costa Val decidiu não acolher os embargos de declaração. No início de novembro, o delegado Fernando José Barbosa Lima sugeriu o declínio da competência. No dia 7 deste mês, a defesa ingressou com agravo interno. Sobre esta última peça, ainda não há deliberação. Dois procedimentos que, segundo o TJMG ainda estão em fase de investigação (em São Paulo já eram ação penal), deverão ser remetidos para outras comarcas. Um segue para Porto Alegre-RS. O outro tomará o rumo de São Bernardo do Campo-SP.

Relação completa de réus denunciados pelo Gaeco
– Vittorio Medioli (Sada)
– Gennaro Oddone (Tegma, Gestão Logística)
– Mário Sérgio Moreira Franco (Tegma)
– Evandro Luiz coser (Tegma)
– Fernando Luiz Schettino Moreira (Tegma)
– Orlando Machado Júnior (Tegma)
– Tito Luiz Barroso Filho (Tegma)
– Roberto Carlos Caboclo (Transzero-Sada)
– Mário de Melo Galvão (Dacunha-Sada)
– Edson Luiz Pereira (Sada)
– Luiz Salvador Ferrari (ANTV)
– Aliberto Alves (Sinaceg)

Hyundai Caoa entra na briga
No dia 8 de novembro, a Hyundai Caoa do Brasil protocolou petição no Tribunal de Justiça mineiro, onde o procedimento oriundo de São Bernardo do Campo acusa Vittorio Medioli de formação de cartel e de quadrilha. A assessoria de Imprensa e Jurídica da Hyundai Caoa do Brasil não quis se manifestar sobre o teor da petição. No entanto, o documento foi protocolado dias após ao Hyundai Caoa do Brasil ter rompido o contrato de transporte dos veículos da marca Chery com a Tegma Gestão Logística e Brazul Transportes de Veículos. Esta última integra a lista de empresas de propriedade de Medioli. Por conta da mudança de transportadores, uma série de atentados violentos ocorreram contra os novos operadores da Chery, inclusive incêndios criminosos de 15 caminhões-cegonha e atentados contra a vida de funcionários da nova contratada, a Transportes Gabardo, que tem sede no Rio Grande do Sul. Os fatos estão sendo investigados pela Delegacia de Polícia de Jacareí-SP.