Braço político do cartel dos cegonheiros deflagra perseguição a sindicalista que vem denunciando ações criminosas no setor de transporte de veículos novos

A ordem de perseguir os que ousam denunciar os crimes praticados pelo cartel dos cegonheiros foi aprovada em reunião do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), realizada em 22 de novembro do ano passado. A determinação vem sendo cumprida à risca por entidades obscuras, sites apócrifos, sindicatos e laranjas subordinados ao esquema que em 2018 causou prejuízo R$ 1,8 bilhão às montadoras. A cifra foi integralmente repassada aos consumidores.

A ideia é desencadear uma série de ações judiciais e denúncias infundadas contra quem se mostrar frontalmente contra a organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos. A denúncia de perseguição está sendo feita pelo presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), Afonso Rodrigues de Carvalho, mais conhecido como Magayver (foto de abertura).

O sindicalista já foi ouvido pelo Ministério Público Federal de São Bernardo do Campo (SP) e recentemente conseguiu suspender audiência de ação na Justiça do Trabalho movida pelo Sintravam (uma entidade que se intitula sindicato de Goiás). Também foi protocolada na comarca de Anápolis (GO) queixa-crime chancelada pelo político e empresário Vittorio Medioli, apontado como o chefe da organização criminosa que controla o setor, conforme inquérito da Polícia Federal.

Na semana passada, advogados do Sintrave-GO, presidido por Magayver, conseguiram suspender audiência que estava agendada para o dia 14 de fevereiro. A ordem foi dada pela juíza Blanca Carolina Martins Barros, titular da 1ª Vara do Trabalho do município goiano. A magistrada pretende analisar o pedido de liminar impetrado pelo Sintravam. A entidade subordinada ao cartel pede que o Sintrave-GO tenha suas atividades, como representante legítimo dos cegonheiros de Goiás, suspensa. Magayver explicou:

“Essa é mais uma manobra do cartel para enganar a Justiça. Contestamos a concessão dessa liminar, principalmente porque o Sintrave-GO possui pedido anterior de registro sindical, e que somente não foi deferido porque havia muita coisa irregular no Ministério do Trabalho, a exemplo de pagamento de propina como única forma de liberar registros sindicais, o que culminou, inclusive, com a deflagração da Operação Registro Espúrio.”

Ação coordenada pelo cartel
De acordo com o presidente do Sintrave-GO, a atitude dos chamados “cooptados” pelo sindicato-chefe, o Sinaceg, a exemplo do Sintravam e dos sindicatos do RS, PR, RJ, BA e ES, voltam-se exatamente contra os que combatem a prática caterlizante que causa enormes prejuízos à livre concorrência e ao consumidor final. Ele argumentou:

“Prova disso são essas atitudes apenas contra quem se opõe ao sistema que controla mais de 95% do mercado. Por qual motivo esses integrantes da máfia dos cegonheiros não se voltam para conseguir transportar Mitsubishi? É simplesmente porque quem comanda lá é o Sintrauto, filial do Sinaceg. Quem controla o transporte lá em Catalão são as empresas do Medioli e a Autoport.”

E assegurou:

“Vamos continuar lutando até a derrocada desse cartel e que todos tenham direito a participar das cotações de preços das montadoras.”

Magayver também revelou que integrantes do Sintravam tiveram participação ativa nas manifestações violentas contra filiados ao Sintrave-GO, nos episódios envolvendo a montadora Chery no final do ano passado.

“Estavam todos juntos com o pessoal de São Bernardo do Campo e do Espírito Santo, participando dos ataques contra os caminhões de nossos associados. Foram 15 incêndios criminosos e tentativa de assassinato de funcionários da Gabardo, que ganhou a cotação de preços num processo claro e legal. A Gabardo venceu o cartel por ter apresentado as melhores condições técnicas e o preço mais competitivo.”