Livre Concorrência rejeita acordo com Vittorio Medioli. Advogada do site qualificou proposta do dono da Sada de “chantagem”

O editor do site Livre Concorrência, jornalista Ivens Carús, rejeitou proposta de conciliação apresentada por advogado de Vittorio Medioli em audiência realizada em 20 de fevereiro na Justiça gaúcha. Renato Dilly Campos – representante do empresário e político indiciado pela Polícia Federal (PF) por chefiar organização criminosa que atua no setor de transporte de veículos novos – ofereceu a desistência condicional de oito processos movidos contra o jornalista.

Em troca, Ivens Carús deveria se comprometer a deletar do site todas as matérias em que funcionários e empresas de Medioli (inclusive o próprio) são citados em investigações sobre crimes praticados pelo chamado cartel dos cegonheiros. Essa organização criminosa, assim denominada em inquéritos da PF e dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais, é formada por transportadoras e sindicatos que dominam, até mesmo com o uso de violência, mais de 95% dos fretes realizados por caminhões-cegonha no país. Fernanda Corrêa Osório, advogada do site, qualificou a proposta de “chantagem”.

Há pouco mais de dois meses, em outra ação penal privada movida por Medioli e suas empresas contra o jornalista, a promotora Aline Xavier Machado afirmou que o objetivo dos processos era “calar a boca da imprensa”. A manifestação do Ministério Público do Rio Grande do Sul ocorreu em 17 de dezembro de 2018, no Juizado Especial Criminal do Foro Regional do 4º Distrito, em Porto Alegre.

Os três processos analisados no último dia 20 pela juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, da 5ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre, também referem-se a queixas-crimes contra o editor do site. Os autores alegam ter sido vítimas de crime contra a honra. Medioli subscreve uma das ações. Os outros querelantes são a Sada (cujo dono é o próprio Medioli) e Edson Luiz Pereira (diretor comercial da Sada). Este último compareceu à audiência.

Além de calar o site, Medioli quer impedir que jornalista trabalhe
As ações em que o advogado de Medioli propôs acordo são as mesmas cujos autores pediram à Justiça, por meio de medidas cautelares, a “imediata suspensão da atividade de natureza econômica ou financeira” exercida pelo jornalista. A tentativa foi recusada em abril do ano passado pela mesma juíza. Outra medida rejeitada pela Justiça é a decretação de sigilo ao andamento do processo.

Uma nova audiência deverá ocorrer em 20 de maio.