Mais um processo contra o site. Agora um sindicalista e empresário quer R$ 25 mil de indenização por não conseguir trabalho como cegonheiro

O cartel dos cegonheiros continua movimentando todos os seus peões para tentar calar o site Livre Concorrência. Não só os peões. Indiciado pela Polícia Federal por chefiar a organização criminosa que controla mais de 95% dos fretes de veículos novos no país, o dono do grupo Sada e político de Minas Gerais, Vittorio Medioli, recorreu à Justiça pedindo para proibir Ivens Carús, editor deste site, de exercer a profissão de jornalista.

Agora surgiu uma novidade nessa partida de xadrez manipulada por transportadoras e entidades de classe contrárias à abertura do setor para outros operadores. Robson Pasqualini, integrante do Sindicato das Empresas e Autônomos de Transporte Rodoviário de Veículos do Estado do Rio de Janeiro (Sintrav-RJ), também está processando o site. A entidade carioca é subordinada ao cartel dos cegonheiros. O sindicalista e empresário-cegonheiro pediu na Justiça indenização de R$ 25 mil.

Ele alega não conseguir trabalho por achar que as matérias aqui publicadas desqualificam a categoria. A exemplo de Medioli, o sindicalista também exige a retirada de “todo e qualquer conteúdo ofensivo” ao segmento que ele diz defender. A ação foi protocolada na Comarca de Porto Real (foto de abertura), no Rio de Janeiro, em dezembro de 2018.

Aqui vale uma nota da equipe de reportagem. O site Livre Concorrência não é contra a categoria dos cegonheiros. O site revela ações de uma minoria que prejudica o consumidor final e sabota a livre concorrência com ações violentas.

35 medidas judicias contra o site. Cartel perdeu todas
Nos últimos anos, representantes do cartel já protocolaram 35 medidas judiciais contra o site e seu editor. Algumas dessas foram parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF). Os autores não ganharam nenhuma. Em três, Tegma Gestão Logística, Gennaro Oddone e Fernando Luiz Schettino Moreira foram condenados a pagar honorários de R$ 15 mil ao advogado do site Anticartel, antecessor do Livre Concorrência.

Sobre o processo protocolado por Robson Pasqualini é importante destacar que o autor da ação é empresário. Segundo consta na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), ele foi admitido como sócio da empresa Pasqualini Transportes em novembro de 2015. Oito meses antes de tornar-se sócio, a companhia dele, com sede em São Bernardo do Campo, comunicou à Jucesp a abertura de filial em Porto Real, no Rio de Janeiro. Robson é um dos quatro sócios, todos de sobrenome Pasqualini.

Na petição, a advogada Eneida da Silva Paz apresenta Pasqualini à Justiça como “autônomo”. Ela explica o que motivou o cliente a processar o site:

“O autor passou a perceber certa dificuldade em conseguir clientes para o serviço (de cegonheiro), o que não era comum, pois se trata de mercado com constante demanda.”

A advogada diz que colegas de Robson o ajudaram a identificar a causa da ausência de serviço:

“Foi então então que, através de colegas e pesquisas na internet, constatou (ele, o cliente) a existência de diversas matérias sobre sua a categoria profissional na página eletrônica denominada Livre Concorrência.”

Segundo o empresário-cegonheiro as matérias são “falsas e sensacionalistas”. O site, segundo ele, usa o nome da Polícia Federal sem citar qualquer fonte que confirme o que o sindicalista chama de “alegado”.

Aqui vale outra nota. Todas nossas matérias citam fontes, processos e inquéritos que tramitam na Justiça. Basta ler com atenção.

Lá pelas tantas a advogada do empresário escreve:

“Aliás, em em todas as publicações da página percebe-se a inexistência de citação de fontes das informações ali disseminadas. São mencionadas supostas ações da polícia, de juízes, processos criminais, sem, contudo, jamais ser citado nenhum fato concreto sequer que embase as especulações ventiladas.”

Bom… Aqui vale mais uma nota da redação. O empresário-cegonheiro deve estar lendo esse tipo de material descrito por ele em sites anônimos bancados pelo cartel. Aqui no Livre Concorrência os processos têm número, os juízes federais, procuradores da República, promotores e desembargadores sempre são identificados, assim como os réus já condenados por formação de cartel no transporte de veículos novos.