Concorrência é positiva para consumidores e para o país, afirma professor da USP

Qualidade, menor preço e inovação não são as únicas vantagens garantidas aos consumidores em um mercado regulado pela livre concorrência. A competição entre empresas aprimora o processo produtivo e, por consequência, estimula e alavanca o crescimento econômico do país. A constatação é do professor da USP Thiago Marrara.

Em entrevista concedida à Rádio USP, Marrara alerta para a importância da livre concorrência:

“Quando os agentes econômicos não competem, a tendência é que os preços se estabilizem em um patamar artificial. Outra tendência é que os agentes econômicos não tomem iniciativa para se desenvolver. Isso gera uma situação que ninguém quer ser eficiente. Todo mundo se acomoda.”

A conta dessa letargia sempre é paga pelos consumidores. Ele explica a relação desse grupo com os monopólios e cartéis:

“Monopólios e cartéis se beneficiam do consumidor, elevando os preços a patamares irreais.”

A competição é a única forma de romper com esse ciclo vicioso, ensina o professor:

A concorrência gera um efeito meritocrático. Ficarão no mercado os agentes econômicos que se desenvolverem e que souberem lidar com mais sagacidade com o processo produtivo.”

Educação e conscientização da população podem ajudar o Brasil a vencer os cartéis. Ele esclarece como:

“A conscientização torna-se mais importante porque o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência é composto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), uma autarquia, e pela Secretaria de Direito Econômico. Mesmo restrita e concentrada em Brasília, essa estrutura tem que dar conta de problemas concorreciais no Brasil todo. É muito mais fácil prevenir esses conflitos pela educação e conscientização do que com processos complexos para resolver cada caso.”

Segundo ele, é papel do estado divulgar os benefícios da atividade competitiva, a fim de que a população saiba identificar práticas anticoncorrenciais e denunciá-las ou inibi-las.

Leia mais:
Especialista em defesa da concorrência diz que cartéis temem competição e alimentam a corrupção