Justiça do Trabalho de Anápolis e Catalão sepulta tentativa do cartel dos cegonheiros de interferir em sindicatos regionais

A juíza Blanca Carolina Martins  Barros, titular da 1ª Vara do Trabalho da comarca de Anápolis (GO), decidiu arquivar a ação proposta pelo Sintravam contra o Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), no último dia 14. A determinação ocorreu após a ausência do “sindicato autor” à audiência programada para aquela data. A ação, proposta pela entidade apoiada por transportadoras que controlam mais de 93% do mercado de transporte de veículos novos em todo o país, pretendia tomar de assalto a representatividade da categoria patronal dos cegonheiros de Goiás, com o apoio do poder Judiciário. A tentativa esbarrou na fragilidade da argumentação e da documentação acostada aos autos. Em abril, intenção semelhante foi frustrada pela Justiça do Trabalho do município de Catalão, onde funciona a fábrica da Mitsubishi. A partir das decisões judiciais, a representação sindical nesses dois municípios continua nas mãos do Sintrave-GO, em Anápolis, e do Sintrauto, sediado em Catalão (GO).

Em março, na capital federal, a sentença que garantia ao Sintravam o direito de representar a categoria foi reformada pelo próprio juiz que a prolatou em caráter precário. O Sintravam é uma entidade fantoche manipulada pelo cartel dos cegonheiros. O documento também foi utilizado pelo sindicato na ação movida contra o Sintrauto, na cidade de Catalão, onde o juiz Armando Benedito Bianki, da mesma forma, detectou a manobra. Nas duas ações, o Sintravam foi condenado ao pagamento das custas, cada uma arbitrada em R$ 720.

Dupla frustração
A ação impetrada pelo Sintravam – cuja sigla significa Sindicato das Pequenas e Microempresas e Transportadores Autônomos de Veículos dos Municípios de Anápolis, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Goianésia, Hidrolândia, Catalão e Itumbiara – visava a tomar a representatividade atualmente exercida em todo o estado pelo Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), presidido por Afonso Rodrigues de Carvalho (foto de abertura). Magayver, como é popularmente conhecido, é um dos maiores ativistas da livre concorrência no segmento das cegonhas e o maior crítico dos empresários e sindicalistas vinculados ao cartel dos cegonheiros. Já em Catalão, o alvo foi o Sintrauto, entidade que detém a representatividade no município onde funciona a montadora Mitsubishi.

Ação do cartel
De acordo com denúncias feitas pelo presidente do Sintrave-GO, parte do cartel que controla com mãos de ferro cerca de 95% do setor de transporte de veículos novos está nos quadros do Sintravam. Ele cita como exemplo a postura do atual presidente, Mauro Simeão, conhecido como Maurinho:

“Ele (Maurinho) estava com seus colegas do Espírito Santo nas manifestações ocorridas na fábrica da Caoa-Chery, em Jacareí (SP), onde houve, inclusive, a tentativa de assassinato de funcionários da Transportes Gabardo.”

Magayver chama a atenção para o encadeamento dos fatos:

“Isso ocorreu quando cegonheiros do cartel tomaram um caminhão de associado nosso e o jogaram sobre o veículo onde estavam os funcionários da empresa.”

Nessa mesma época, em outubro do ano passado, vários caminhões da transportadora gaúcha (Gabardo) foram incendiados criminosamente porque a empresa venceu a cotação de preços feita pela Caoa-Chery. Magayver acrescenta:

“Agora, eles assinaram o atestado de que já sabiam que iriam perder a ação, não comparecendo à audiência. Esta intenção deles de tentar ganhar à força está sepultada pela Justiça.”

Investida também em Pernambuco
Desde 2016, o Sindicato dos Cegonheiros de Goiana (PE), apoiado pela Sada Transportes e Armazenagens, tentou na Justiça do Trabalho tomar de assalto a representação da categoria exercida pelo Sindicato dos Cegonheiros de Pernambuco (Sintraveic-PE). Perdeu em todas as instâncias. Num dos processos, a Justiça comprovou fraude na organização de assembleia da entidade. Na Câmara dos Deputados, o deputado Pastor Eurico denunciou negociatas envolvendo o Sintrago que teriam envolvido “R$ 20 milhões”.


A denúncia, feita da tribuna do Legislativo, resultou em duas ações movidas pelo proprietário do grupo Sada e atual prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli, e sua principal empresa. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o arquivamento das duas investidas do político e empresário contra o deputado pernambucano.