Ágio pago pela Ford Brasil ao cartel dos cegonheiros representa 14,31% da economia que a montadora pretende obter com o corte de 7 mil postos de trabalho em todo mundo

A Ford anunciou demissão de 7 mil trabalhadores em todo o mundo para economizar US$ 600 milhões (R$ 2,430 bilhões) por ano. O resultado obtido em 12 meses com o corte de funcionários em todo o mundo (vale ressaltar) representa 14,31% do que a Ford Brasil pagou de ágio ao cartel dos cegonheiros em 27 meses.

Ao todo, a divisão brasileira da montadora norte-americana transferiu US$ 343,9 milhões (R$ 1,393 bilhão) às transportadoras que compõem a organização criminosa que controla mais de 93% dos fretes de veículos novos no país. Desse total, US$ 85,9 milhões (R$ 348,2 milhões) referem-se ao ágio de 25% sobre o valor praticado por empresas não vinculadas ao cartel.

A diferença entre o valor real do frete e o valor tabelado por operadores gananciosos decorre principalmente da falta de livre concorrência no bilionário mercado.

Os totais referem-se aos emplacamentos realizados entre janeiro de 2017 e março de 2019. Para calcular o prejuízo causado pela cobrança do ágio, a reportagem usou equação desenvolvida pelo Ministério Público Federal.

Em comunicado aos funcionários, o presidente-executivo da Ford, Jim Hackett, afirmou:

“Para ser bem sucedido na nossa indústria competitiva, e com a posição da Ford de vencer em um futuro com mudança constante, nós devemos reduzir a burocracia, emponderar os gerentes, acelerar a tomada de decisão, com foco no trabalho mais valioso e cortar custos.”