Livre Concorrência rejeita quarta proposta de acordo apresentada por Vittorio Medioli

Político e dono do grupo Sada, Vittorio Medioli fez nova proposta para retirar as sete queixas-crimes e duas indenizatórias movidas contra Ivens Carús, editor do site Livre Concorrência. O acordo apresentado pelo empresário investigado e indiciado pela Polícia Federal por chefiar organização criminosa que atua no setor de transporte de veículos novos foi rejeitado pela quarta vez consecutiva pelo jornalista. A recusa ocorreu na segunda-feira (20), na 5ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Medioli, que dessa vez compareceu à audiência, também é processado pelo Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por formação de cartel e de quadrilha. Advogada do empresário trouxe a proposta num pen drive. A defensora de Carús não quis sequer tomar conhecimento do conteúdo. À juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, a advogada Fernanda Corrêa Osório anunciou a negativa do jornalista. Ela argumentou:

“O acordo prevê retratação. Por conta disso não pode ser admitido. O site Livre Concorrência não tem por que se retratar, pois as reportagens publicadas baseiam-se em decisões da Justiça Federal e em investigações realizadas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo.”

Em fevereiro, o advogado Renato Dilly Campos – representante de Medioli, fez outra oferta: a desistência condicional dos processos contra Ivens Carús, desde que o jornalista se comprometesse a deletar do site todas as matérias em que funcionários e empresas de Medioli (inclusive o próprio) são citados em investigações sobre crimes praticados pelo chamado cartel dos cegonheiros – uma organização criminosa formada por transportadoras e sindicatos que dominam, inclusive com o uso de violência, mais de 93% dos fretes realizados por caminhões-cegonha no país. Proposta foi rejeitada.

Medioli quer proibir jornalista de exercer atividade profissional
O objetivo de Medioli é censurar o site. Em outra ocasião, a promotora Aline Xavier Machado afirmou que a intenção do empresário é “calar a boca da imprensa”.

A advogada de Carús chamou a atenção da juíza para outro aspecto da peça acusatória apresentada por Medioli:

“Além de censurar o site, Medioli pediu em juízo medidas restritivas contra o jornalista, impedindo-o de exercer a atividade profissional. É um absurdo.”

A advogada de Medioli ainda tentou induzir a juíza a erro. Valéria Kassai afirmou que algumas queixas-crime já haviam sido acatadas pela Justiça. Fernanda Osório a corrigiu:

“Nenhuma queixa-crime contra meu cliente foi acatada pela Justiça.”

Diante do impasse, a juíza Cláudia Junqueira Sulzbach encaminhou os autos para o Ministério Público se manifestar. Em outras ações, tanto o Ministério Público de Minas Gerais quanto o do Rio Grande do Sul rejeitaram as acusações de Medioli. A acusação foi considerada “inepta” e os “elementos da peça de ingresso insuficientes para a instauração de ação penal”.