Empresas vão à Justiça cobrar da Sada, Brazul e Tegma indenizações por danos materiais

“Não há como negar que os atos de vandalismo que causaram enormes prejuízos financeiros aos nossos carreteiros foram praticados por agregados à Brazul, Tegma e ao grupo Sada”. A afirmação foi feita pelo presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), Afonso Rodrigues de Carvalho, mais conhecido como Magayver, ao justificar o ajuizamento de pelo menos cinco ações por danos materiais protocoladas na Justiça de Goiás contra as empresas citadas, além de outras pessoas físicas. O motivo foi a depredação de caminhões-cegonha ocorrida em outubro do ano passado nas proximidades da fábrica da Chery, no município de Jacareí, interior paulista.

Os ataques ocorreram depois de a Transportes Gabardo, que tem sede no Rio Grande do Sul, ganhar cotação de preços para a realização do escoamento da produção anteriormente a cargo da Brazul Transporte de Veículos (empresa de propriedade do grupo Sada, do político e empresário Vittorio medioli). Inconformados, cegonheiros prestadores de serviço da associação criminosa que controla com mãos de ferro mais de 93% do setor iniciaram ações violentas contra os novos transportadores.

Mais de uma dezena de caminhões-cegonha foram incendiados criminosamente e outros tantos depredados nas proximidades da montadora. Magayver desabafou:

“Já esperamos muito para cobrar de quem tem total responsabilidade pelo vandalismo que ao longo dos anos assola as frotas de nossos associados. Sempre se soube quem banca tais atos. São as empresas de transporte do cartel dos cegonheiros de São Bernardo do Campo (SP) e Betim (MG).”

Ele acrescentou:

“Todos os que participaram dos atos de vandalismo em Jacareí (SP) fizeram sob o comando do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg). A ordem de que todos deveriam ir para Jacareí pode ser verificada por meios de vários áudios de carreteiros de empresas do cartel. Todo esse material chegou ao nosso conhecimento.”

Ele forneceu mais detalhes sobre o comando das operações:

“Para cada frota dos carreteiros das empresas do cartel que estivesse em Jacareí foi prometida dez posições na fila de carregamento. Todos foram orientados por diretores do Sinaceg que, inclusive, receberam alerta das empresas Brazul e Tegma para que retirassem ou escondessem as logomarcas nos caminhões (imagem de abertura). Temos fotos e vídeos desse pessoal agindo.”

Sobre as ações de indenização, o presidente do Sintrave-GO esclareceu:

“Não são só as empresas que estamos acionando. Estamos responsabilizando também os empresários agregados e seus motoristas que foram usados como massa de manobra naquele movimento recheado de violência, no qual teve até tentativa de assassinato.”

As ações foram ajuizadas em juizado especial. As cinco primeiras totalizam indenização por dano material da ordem de R$ 113.206,18. Mas vem mais ação pesada por aí. Nesse primeiro lote, são cobrados apenas valores gastos com a troca de para-brisa, lanternas, faróis, vidros e retrovisores, além de chapeação, pintura e outros itens. Polícias Civis e Federal investigam a queima de caminhões-cegonha em quatro estados. Os crimes ocorreram na mesma época em que atos de vandalismo foram registrados em Jacareí.