Outras ações indenizatórias contra o cartel dependem da conclusão de inquéritos policiais abertos em quatro estados

As ações indenizatórias protocoladas na Justiça de Goiás contra as transportadoras Brazul, Tegma e Sada ainda não contemplam os prejuízos decorrentes de ataques incendiários cometidos em 2018 contra caminhões da Transporte Gabardo e, há mais tempo, da Transilva. A autoria desses crimes ainda está sendo investigada pela Polícia Civil de quatro estados e Polícia Federal.

Os atos de vandalismo contra transportadora que venceu empresas do cartel dos cegonheiros em concorrência realizada pela Caoa-Chery não se limitaram aos episódios registrados no entorno da fábrica localizada em Jacareí, no interior de São Paulo. No Rio de Janeiro, por exemplo, oito caminhões novos que estavam estacionados em pátio da Transportes Gabardo foram incendiados na madrugada de 15 de outubro de 2018, no município de Porto Real. Esse e outros crimes ocorreram no mesmo período em que a fábrica da marca chinesa estava bloqueada por ação do cartel.

Logo em seguida, mais dois ataques. No estacionamento do posto Panterão, localizado na rodovia Régis Bitencourt, no município de São Lourenço da Serra (SP), dois caminhões-cegonha da Gabardo carregados com veículos da marca Hyundai foram incendiados na madrugada de 16 de outubro..

Em 12 dias, dezesseis caminhões foram incendiados. Os criminosos agiram em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. Antes dos incêndios, caminhões da Gabardo foram atingidos com miguelitos na saída da fábrica. O vandalismo danificou veículos novos que estavam sendo transportados até concessionárias da Chery.

O incêndio criminoso de caminhões-cegonhas de transportadoras independentes já foi alvo de apuração realizada pela Polícia Federal. Vittorio Medioli, atual prefeito de Betim e proprietário do grupo Sada, foi investigado e indiciado pela Polícia Federal por associação criminosa e crimes contra a paz pública. De acordo com despacho do desembargador Adilson Lamounier, do TJMG, a autoridade policial apontou Vittorio Medioli como “o chefe da quadrilha investigada”.

O relatório final do inquérito desvendou diversos ilícitos penais ocorridos no setor de transporte de veículos novos entre 2009 e 2010. Medioli foi acusado de “chefiar a quadrilha investigada”. Outras pessoas também foram indiciadas, incluindo cegonheiros-empresários de vários estados.

Recentemente, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu negar foro privilegiado a Medioli. Os desembargadores entenderam que os crimes apontados pela PF referem-se às atividades privadas do político, sem relação com o mandato de prefeito.

O inquérito 277/2010 da Polícia Federal foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 2017, por conta da prerrogativa de foro a que tem direito Vittorio Medioli, após assumir o cargo de prefeito de Betim. A definição do STF, ocorrida no ano passado, alterou o entendimento. Prefeitos só têm foro privilegiado por ações desenvolvidas durante o exercício do mandato e vinculadas diretamente à administração pública.