Estímulo à navegação de cabotagem deve gerar reação de cartel que controla transporte de veículos novos

Como a concentração de cargas no transporte de veículos novos pouco ou nada mudou nas últimas duas décadas, a decisão de o governo federal estimular a navegação de cabotagem deve deflagrar novo locaute por parte de transportadoras que integram o cartel dos cegonheiros. Em 1997, a reação do cartel contra determinação da Fiat de transportar para o Nordeste 800 veículos por semana em navios provocou uma greve nacional dos donos de caminhões-cegonha.

Na ocasião, o jornalista Luiz Nassif, da Folha de São Paulo, escreveu:

“Os cegonheiros comportam-se como corporação típica que, estando frente a mudanças inevitáveis, tentam conservar a ferro e fogo o antigo status quo. Melhor fariam entendendo, se adaptando e defendendo o direito deles dentro das regras dos novos tempos.”

A pressão comandada pelo cartel resultou na vitória das forças retrógradas. A montadora recuou, claro. O jornalista qualificou o grupo que não admite a livre concorrência de corporação do atraso. A organização controla atualmente mais 93% do faturamento anual. O montante é superior a R$ 6 bilhões.

Também no final da década de 1990 discutia-se os impactos da aprovação de uma nova lei para a navegação cabotagem. Estimava-se à época que o custo do frete cairia pela metade com as alterações na legislação. Ficou tudo engavetado.

Navegação de cabotagem
Na última segunda-feira (29/7), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, anunciou que o governo deve enviar no próximo mês ao Congresso Nacional medida provisória para aumentar o volume de cargas transportadas por navegação de cabotagem (entre portos do mesmo país).

O objetivo é triplicar os embarques de cargas até 2021 e diminuir o perfil do frete no país. O ministro afirmou que a mudança está agradando a todos, inclusive os caminhoneiros:

“O frete de longa distância, que antes era feito por caminhão, cruzando o Brasil inteiro, vai começar a ser feito por cabotagem, e o frete rodoviário passa a ser de curta. O perfil do frete rodoviário vai mudar, o que é bom. No frete de curta distância é onde o caminhoneiro ganha mais, a renda é maior, onde ele desgasta menos o equipamento. Essa mudança de comportamento de logística está agradando a todos, inclusive o caminhoneiro.”


O ministro disse ainda que a MP deve mudar regras sobre o fretamento de cabotagem e também tributárias.

O site Livre Concorrência torce para que a vanguarda do atraso não vença novamente essa guerra.