Sindicalista confiante na condenação de líderes do cartel e na abertura do mercado neste ano pelo Cade

O presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), Afonso Rodrigues de Carvalho, conhecido como Magayver, afirmou ao site Livre concorrência estar confiante na condenação dos líderes do cartel dos cegonheiros pela Justiça de São Paulo. A manifestação foi feita após tomar conhecimento de que a ação penal que tramita na 5ª Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (SP) está conclusa para ser sentenciada. Ele também adiantou estar convicto de que ainda neste ano o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai determinar a abertura do mercado de transporte de veículos novos.

O líder sindicalista, um dos mais ferrenhos defensores da livre concorrência no setor, distribuiu mensagens por aplicativo. Ele destacou:

“Sou uma das testemunhas do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nessa ação penal que tem como principal objetivo condenar esse grupo de pessoas que há muitos anos se intitula dono do setor de transporte de veículos novos, utilizando de todos os meios, inclusive ilegais, para manter o mercado fechado e impedir o ingresso de outras empresas no setor. Exatamente como está comprovado na denúncia feita pelos promotores.”

E acrescentou:

“Um dos expedientes mais hediondos colocado em prática por alguns integrantes do cartel é o que está sendo combatido em outra esfera, os incêndios criminosos e atos violentos contra a vida de cegonheiros terceirizados, colegas de trabalho de transportadoras independentes”.

Para Magayver, o mercado não está totalmente concentrado nas mãos dos grupos econômicos Sada e Tegma por conta de ações da Polícia Federal e Ministério Público:

“Graças ao trabalho incessante da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do próprio Gaeco o cartel não se expandiu”.

Atualmente as empresas e o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg, ex-Sindicam), acusados de formação de cartel, detém mais de 93% do mercado. Ele explicou como o esquema funciona:

“Cobram sobrepreço nos fretes e causam prejuízos aos consumidores e à economia. Impedem o exercício da livre concorrência. Isso não é invenção. Foi comprovado pelo MPF e está tudo lá no TRF-4, onde serão julgadas as apelações da condenação desse danoso cartel.”

Magayver fez questão de ressaltar:

“Nada menos do que nove advogados representando os réus, tentaram, sem sucesso, desqualificar minhas declarações. Até o Vittorio Medioli, apontado pela Polícia Federal como chefe da quadrilha investigada no inquérito, ingressou com queixa crime contra mim, mas a Justiça de Goiás rejeitou a queixa, e agora ele está se debatendo em grau de recurso. Certamente vai perder novamente.”

Ainda de acordo com o líder sindical, uma nova frente na luta pela abertura do mercado está se desenhando no Cade. Houve o pedido de medida preventiva, determinando a abertura gradual do mercado. Esperamos que ainda neste ano essa Autarquia, que tem a obrigação constitucional de resguardar a livre concorrência, tome a decisão certa:

“Acompanhamos o andamento do inquérito administrativo. Temos conhecimento de que a grande maioria das montadoras já apresentou os documentos solicitados pelo Cade. Sabemos que a análise é demorada, mas temos convicção de que a garantia da livre concorrência vai ser feita pelo Cade e que esse cartel seja, de uma vez por todas, desbaratado.”