Aliança com o cartel fez consumidores da GM amargarem prejuízo de R$ 713 milhões nos últimos 30 meses. Farra continua impune

A verdadeira farra feita pela organização criminosa (segundo a Polícia Federal) com o dinheiro do consumidor brasileiro continua ocorrendo impunemente. A cada ano, o prejuízo por conta do superfaturamento no frete dos veículos novos supera a marca dos R$ 1,8 bilhão. Só na General Motors, o alinhamento da montadora com o sistema cartelizante causou prejuízo de R$ 713,2 milhões nos últimos 30 meses, computados desde 2017.

Condenada por participação efetiva na formação de cartel no setor de transporte de veículos novos, a General Motors impõe aos compradores dos seus veículos o mesmo percentual de prejuízo repassado por outras montadoras que adotam o mesmo modus operandi.

Em 2017, os compradores de veículos da marca Chevrolet pagaram um ágio de R$ 257,2 milhões. Em 2018, o valor chegou a marca dos R$ 301 milhões, enquanto só no primeiro semestre deste ano foram pagos a mais o equivalente a R$ 155 milhões. Ao todo, a GM repassou ao cartel, a título de frete nos últimos 30 meses, R$ 2,8 bilhões. As vendas chegaram a 1.050.258 unidades.

Farra do cartel nas cargas da GM
Os grupos econômicos acusados de formação de cartel no setor de transporte de veículos novos fazem verdadeira farra nas cargas da conivente General Motors do Brasil (e em mais de uma dezena de outras montadoras instaladas no país). De acordo com a denúncia protocolada na PRR-4, um veículo fabricado pela montadora na planta de Gravataí viajou 2.537 quilômetros até chegar ao destino, distante apenas 590 quilômetros da fábrica de Gravataí (confira arte de abertura).

Destinado a uma concessionária localizada no município de São Borja (RS), o veículo foi transportado pela Júlio Simões de Gravataí (RS) até São Bernardo do Campo (SP). A distância aproximada é de 1.140 quilômetros. De lá, foi transportado por uma empresa do cartel para São Borja, percorrendo outros 1.397 quilômetros até chegar ao destino. Os custos do frete, embutidos no valor final do veículo, são repassados integralmente ao desamparado consumidor.